Desconhecido até o início desta temporada, o Leicester City está muito próximo de escrever, neste fim de semana, um dos capítulos mais incríveis e improváveis da história não apenas do futebol, mas do esporte mundial.

A partir das 10h (horário de Brasília) deste domingo (1º), o modesto líder do multimilionário Campeonato Inglês vai ao lendário estádio Old Trafford enfrentar o poderoso Manchester United em busca da vitória que lhe asseguraria matematicamente o primeiro título da competição em seus 132 anos desde a fundação.

A honraria, ironicamente, pode acontecer logo na casa do maior campeão de todos os tempos da Premier League – os Red Devils já levantaram o troféu da competição 20 vezes.

Eu disse, de coração, que nós tentamos fazer nosso melhor, mas se os outros são melhores do que nós, eu quero apenas dizer parabéns aos outros. Mas, é claro, agora nós estamos lá, nós estamos muito próximos, e nós temos de continuar lutando”, disse o técnico da equipe o italiano Cláudio Ranieri.

Para se ter ideia do tamanho do feito, basta olhar para os números das casas de apostas inglesas. A conquista pode significar a maior derrota da história no setor: cerca de £ 10 milhões (R$ 50,4 milhões), segundo levantamento da BBC.

Antes do início do campeonato, o sucesso do Leicester renderia 5 mil vezes cada libra empenhada. Na época, um único torcedor apostou £ 50 libras. E a conquista continuou tão improvável que, em março deste ano, o dono da “fezinha” aceitou um acordo com a casa para receber £ 72 mil e desistir da aposta, que renderia £ 250 mil amanhã, em caso de título.

Preço de um jogador
O investimento total do Leicester nos 11 titulares foi de £ 24,2 milhões, uma “pechincha” na Premier League. Fato que preocupa, pois na próxima janela de transferências o time sofrerá com o assédio dos principais times do mundo.

A título de comparação, o Chelsea pagou £ 21,4 milhões ao Barcelona apenas para ter o atacante Pedro no meio do ano passado.

Leicester


No comando do time está o técnico Claudio Ranieri, dono de vasta experiência em clubes como Napoli, Valencia, Juventus, Roma e Internazionale, entre outros.

Eu sempre digo aos meus jogadores que não é importante o resultado, é importante a performance. Mas eu quero que eles joguem como uma equipe, porque futebol é um trabalho de equipe. Onze jogadores jogando juntos”, avalia o treinador.

Mas de nada adiantaria ter um grande treinador se também não houvesse qualidade no elenco, a começar pelo goleiro Kasper Schmeichel, filho do lendário arqueiro dinamarquês Peter Schmeichel.

Outros destaques são o volante Danny Drinkwater, o meia argelino Riyad Mahrez e o artilheiro Jamie Vardy, que não jogará contra o Manchester por estar suspenso. Com a incrível campanha do Leicester, todos eles acabaram tornando-se também importantes peças em suas respectivas seleções nacionais.

Jamie Vardy


Um dos segredos para a campanha sólida é que a maioria dos jogadores já tiveram passagens por grandes clubes, como o lateral-direito Danny Simpson (United), e os zagueiros Wes Morgan (Nottingham Forest) e Robert Huth (Chelsea).

Conto de fadas
O título já seria um feito enorme. Mas a saga completa do Leicester é ainda mais incrível se considerada a montanha-russa vivida pelo clube desde a temporada 2012/13.

Após chegar aos playoffs que davam acesso à Primeira Divisão, o time viu o sonho acabar diante do Watford, após desperdiçar um pênalti aos 47 minutos do segundo tempo. No contra-ataque, sofreu o gol da derrota, em um dos términos de partida mais épicos da história do futebol (veja o vídeo).
 


Mas, ao invés de desanimar, no ano seguinte o Leicester voltou mais forte e fez uma campanha irretocável, garantindo o título com 102 pontos e uma vaga de volta à Premier League após 11 anos (desde 2003/04).

Na temporada seguinte, novamente a equipe precisou se superar. Na reta final, escapou do rebaixamento somente na última rodada, com uma sequência de sete vitórias nas nove partidas derradeiras.

Feitos como esses levam quase todos os fãs do futebol a torcerem amanhã por um final feliz. Entre as figuras mais ilustres que admitiram estar ansiosas pelo título da Raposa inglesa estão o técnico português José Mourinho, o Príncipe William e o novo presidente da Fifa, o italiano Gianni Infantino.