A cada fracasso do Cruzeiro, análises são feitas para tentar explicar as performances ruins da equipe, e vilões são criados por torcedores e até mesmo alguns jogadores, como na época em que parte do elenco contestou as mudanças feitas por Rogério Ceni (relembre mais abaixo). Atualmente, a “culpa” vem caindo em cima do grupo dos “parças”, que, na Raposa, é formado por atletas experientes, como Thiago Neves, Robinho e Fred, dentre outros. Seriam eles, detentores da “benção” de Abel Braga, os principais causadores da pífia campanha celeste no Brasileiro ou seria exagero pensar assim? Há vários vieses e fatores a se levar em consideração. Confira!

Efetividade

Sob uma ótica, o trio Neves, Fred e Robinho é responsável por quase metade dos gols da Raposa na Série A. Essa trinca anotou 12 – sendo seis do camisa 10, cinco do centroavante e um do outro armador – dos 26 gols do time. Aliás, TN10 é o goleador da equipe no torneio, com um gol a mais sobre o 9 celeste, o vice-artilheiro do elenco na competição.

Neves e Fred são também os principais garçons da equipe, com quatro e três assistências, respectivamente. Além disso, o trio está no top 5 dos atletas do time que mais chutam a gol: Neves, líder da estatística, já finalizou 70 vezes; Fred tem 38 arremates (terceiro do plantel que mais chuta); e Robinho, 27 (quarto no quesito). Os números são do Footstats.

Os últimos resultados positivos do Cruzeiro tiveram assinatura de Fred/Neves. O camisa 10 foi o autor do gol na vitória por 1 a 0 sobre o São Paulo e da assistência para o tento de Cacá nos 2 a 0 em cima do Botafogo, enquanto o centroavante deixou sua marca no triunfo por 2 a 1 ante o Corinthians.

Cruzeiro

Dependência?

Os números demonstram uma dependência da Raposa em cima desses jogadores. E aí vai outro viés: nos últimos quatro jogos, o time só empatou, tendo anotado apenas um gol, no 1 a 1 com o Bahia, graças a Sassá, em jogada individual do centroavante (embora Neves tenha tido uma colaboração no lance, mas não decisiva). Em nenhuma das três últimas partidas (contra Athletico-PR, Atlético e Avaí, todas com o placar de 0 a 0), os “parças” desequilibraram.

O que pesa, além das atuações pouco inspiradas, é a quantidade de chances não convertida em gol, caso da inacreditável oportunidade desperdiçada por TN10, de cabeça, diante do Avaí, nessa segunda-feira (18). A ansiedade foi a “responsável”, segundo o próprio meia.

A culpa é de quem?

Outro ponto que vem chamando atenção foram os comentários de atletas, incluindo Thiago Neves, sobre a postura do Avaí. “Eu vi, agora no vestiário (na segunda), o comentário de que eles comemoraram. Só pode, né (terem recebido incentivo)? Para comemorar depois de terem sidos rebaixados, qual o motivo da comemoração? Confesso que não vi a comemoração deles, mas não vejo o porquê de os jogadores comemorarem o empate”, disse.

Apesar da insinuação, essa situação vem acompanhada por outro fato: os atletas celestes não fizeram o papel deles nas últimas rodadas, e o Cruzeiro segue ameaçado de rebaixamento. 

"Paizão"

Após o empate sem gols com o lanterna e primeiro rebaixado do Brasileirão, o Avaí, Abel foi em defesa dos “parças”. "Não tem protecionismo. Esses caras deram bicampeonato ao clube (Mineiro 2018/19 e Copa do Brasil (2017/18). Hoje, estamos desolados. Não era o resultado que esperávamos, para quem tem nome, quem não tem nome. (O Thiago Neves) é o único meia que nós temos que entra na área”, afirmou.

Polêmicas

Os “parças” – e aí incluem-se outros atletas, como Edilson, Dedé e Egídio – foram pivôs de algumas polêmicas no Cruzeiro. Fred, por exemplo, não era fã do esquema de Mano Menezes. O atacante não se via inserido nas estratégias propostas por Mano.

Já Neves reclamou publicamente das escolhas do ex-técnico celeste Rogério Ceni. Dedé, por sua vez, pediu mais profissionalismo de todas as partes. Esses casos, aliados à série de resultados negativos, levaram à demissão de Ceni.

Futuro

Será por meio dos pés de Fred, Neves, Robinho, Egídio e companhia que o Cruzeiro tenta se livrar definitivamente da ameaça da degola nas últimas cinco rodadas do Brasileiro. A primeira partida da série final será contra o Santos, neste sábado (23), às 21h, na Vila Belmiro.