Na vitoriosa temporada de 2018/2019, o Minas contava com grandes estrelas. As ponteiras Gabi e Natália, por exemplo, chamavam atenção na campanha do título da Superliga. Mas o prêmio de melhor jogadora da competição ficou para Macris. Titular da seleção brasileira, a levantadora foi a responsável pela engrenagem do time mineiro.

Hoje, ela segue sendo destaque do clube da Rua da Bahia no torneio mais importante do país. Mesmo perdendo peças importantes, o Minas faz grande campanha, se colocando no hall de favoritos, na busca pelo bicampeonato. E esse objetivo passa muito pelo grande trabalho da dona da camisa 3 minastenista.

Aliás, quando o assunto é talento, basta ver em ação a titular de Zé Roberto Guimarães na seleção brasileira. Em ano olímpico, é a favorita para distribuir o jogo da equipe tupiniquim na busca pela terceira medalha dourada do voleibol feminino, em Tóquio.

O Minas vive uma grande fase na Superliga, no topo do torneio. O início da temporada, perdendo o Campeonato Mineiro e a Supercopa chegou a preocupar em algum momento?
Acho que desde o início a gente sabia que seria importante uma nova construção. Sabíamos que a equipe precisava de entrosamento, e isso só viria com o tempo. Então, a gente focou em trabalhar forte e ter paciência. Como tudo é muito corrido, sabia que a preparação viria nos jogos, e tivemos a tranquilidade de saber que o entrosamento viria aos poucos.

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A mudança de treinador sempre é uma questão complicada. Como você está vivendo o trabalho do Nicola Negro depois de uma passagem vitoriosa do também italiano Stefano Lavarini. É um estilo bem diferente ou os dois se assemelham?
Todo técnico tem suas particularidades. O mais importante é saber que ele quer o bem da equipe e acreditar no trabalho dele. E é preciso focar no que o treinador está pedindo sempre, fazendo nosso melhor para gerar bons resultados. É claro que tem diferença, mas acho que isso é importante. Cada vez que se trabalha com um técnico diferente, você acaba incorporando coisas novas ao seu repertório. 

Você tem por característica um jogo muito veloz. Qual a importância dos grandes treinadores que você teve ao longo da carreira para construir esse estilo de jogo?
Todos os técnicos são muito importantes e me auxiliaram nessa construção do meu jogo. Mas preciso pontuar que um dos principais auxiliadores no meu estilo de levantamento foi o Vagão, no Pinheiros. Com ele, iniciei essa característica do jogo mais rápido, mais técnico. Foram três anos lá no Pinheiros, e ele trouxe para mim essa linha de jogo da seleção, a mesma do Zé Roberto. Então, foi super importante, porque pude dar um enfoque nessa levantadora que sou hoje. Nos outros anos, todos os técnicos contribuíram bastante, e o Lavarini veio para completar tudo que eu poderia aprender para ser a jogadora que sou hoje, com o repertório que tenho. Posso melhorar muito ainda. Espero ter essa oportunidade com os próximos que virão.

Lá atrás, na temporada 2012/2013, você já era eleita a melhor levantadora da Superliga, mas ficou muito tempo em equipes que não tinham um investimento para disputar o títulos. Você acha que atuar com grandes nomes, como Gabi e Natália no ano passado, fez você evoluir ou apenas deu mais visibilidade para seu jogo?
Acredito que os prêmios individuais refletem muito o que o grupo me proporciona. Eu não receberia esses prêmios se o grupo não me possibilitasse isso. Sempre foi importante as meninas contribuírem comigo, com o jogo rápido, para que eu pudesse dar meu melhor em quadra. Ano passado, por haver jogadoras como Natália e Gabi, titulares de seleção, e uma equipe montada realmente para brigar por títulos, foi uma experiência muito importante e gratificante para mim. Até então não tinha tido a oportunidade de estar num nível tão alto, focada nessa briga pelos títulos. Nunca tinha ido para uma final de Superliga. No ano passado foi a primeira, assim como nunca tinha ido a uma seminal até o ano anterior, ou disputado um Sul-Americano. Aqui tive a oportunidade de disputar tantos torneios importantes, em níveis elevados, e buscando títulos. Para mim, foi um crescimento importante, não só pelas meninas, mas também pelo clube.

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Você trabalhou ultimamente com centrais que tinham como característica receber bolas mais rápidas, diferentemente da Thaísa, que tem um alcance muito alto. Como foi essa adaptação? Gerou uma dificuldade no início?
Sim, talvez tenha me tirado da zona de conforto dos outros anos. Acho que nunca atuei com uma central de grande estatura, de muita altura mesmo. Então, a bola fica diferente, você precisa ter um entrosamento, porque ela pega num ponto mais alto. Com a Fabiana na seleção é a mesma questão, a bola tem uma trajetória diferente. Assim, é a primeira vez que atuo com uma central que ataca num ponto diferente em relação às jogadoras com quem trabalhei no passado. Mas acho que isso não interfere na velocidade do meu jogo, porque isso é ditado pelas minhas extremidades, tanto as ponteiras quanto as opostas. Logicamente, o jogo com a Gattaz se mantém.

Está começando um ano olímpico, e você vem sendo um nome certo nas convocações da seleção brasileira. O Zé Roberto já teve alguma conversa com você, garantindo sua presença em Tóquio?
Não. Com certeza ele vai decidir isso só mais para frente, mas o papo dele para todas nós foi de que fizéssemos nossa preparação no melhor nível que pudéssemos, porque simplesmente não vamos ter tempo. Assim que acabar a Superliga, teremos pouco tempo até as Olimpíadas. Então, quem quer estar lá e contribuir com o país, precisa se preparar da melhor forma. Acho que o enfoque tem que ser esse. Caso apareça a oportunidade, espero cumprir da melhor maneira.

Ser titular da seleção sempre traz certa evidência, e você nunca jogou fora do país. Você tem na cabeça atuar no exterior?
Sim, sempre conversei com meus procuradores que, se aparecesse uma boa oportunidade, ela deveria valer a pena, tanto para a evolução da minha carreira quanto financeiramente falando. Logicamente, seria avaliada. Talvez eu sempre tenha dado preferência para jogar no Brasil, por estar próxima das meninas e tentado evoluir aqui dentro. Mas lá fora pode ser uma ótima oportunidade e, se aparecer alguma boa oferta, com certeza poderia aproveitar.

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Voltando ao Minas. O ano passado foi praticamente perfeito para o clube minastenista. Acha que dá para repetir?
Todo atleta quer sempre estar na final, disputando título e querendo estar no ponto mais alto. Acho que a meta deste ano continua sendo a mesma, de chegar à final. Lógico que com uma trajetória diferente. A gente sabia que o início seria difícil, mas que buscaria um equilíbrio e a evolução para disputar todos os títulos, fazendo nosso melhor.

*Sob supervisão de Thiago Prata