Nos idos da década passada, um garoto chamado Luis Manuel Orejuela García percorria os bairros pobres de Cáli, na Colômbia, com uma bola debaixo dos braços e um sonho hospedando sua mente: jogar com a camisa de seu clube do coração, o Deportivo Cali. A realização deste sonho possibilitou o nascimento de novos anseios.

Ironicamente, uma passagem sem tanto brilho pelo Ajax, da Holanda, configurou a ponte para a concretização de outra meta, a de atuar no futebol brasileiro, que concebeu algumas de suas maiores inspirações, como Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Daniel Alves e Marcelo. 

Desde janeiro na Toca, Orejuela, comemorou a conquista do Mineiro, mas agora se vê inserido num misto de conquistas e pesadelos. O time celeste briga contra o rebaixamento no Brasileiro, no mesmo ano em que o lateral-direito vem acumulando convocações para a seleção colombiana.

O confronto deste sábado (5), às 21h, contra o Internacional, no Mineirão, é o último dele antes de se apresentar ao combinado de Carlos Queiroz para os amistosos diante de Chile e Argélia, nos dias 12 e 15, respectivamente. O certo é que o lateral de 24 anos espera desempenhar um bom papel nessas duas frentes para ajudar a Raposa e seu país e, a partir daí, alçar voos maiores, como deixa claro nesta entrevista ao Hoje em Dia

Fale-nos um pouco da expectativa de voltar a servir a seleção colombiana. Você tem virado figurinha tarimbada nas listas do Carlos Queiroz, que, pelo visto, gosta muito do seu futebol.
Estou muito feliz. Estou tendo uma nova oportunidade de mostrar meu futebol na seleção. Espero que venham muito mais (convocações). E o treinador é uma pessoa muito boa, muito tranquila. Acredito que tenho demonstrado um bom futebol para ser lembrado por ele. Creio que por isso fui chamado novamente para vestir essa camisa.

Pelo que você tem visto em campo, qual sua análise a respeito da seleção colombiana? Está no caminho certo?
Acredito que a seleção está crescendo muito. Se seguirmos esse caminho vamos brigar para chegar ao Mundial e brigar pelo título. É um sonho de todos os colombianos. Seria lindo vencer o Mundial. É um sonho de cada jogador vestir essa camisa e representar esse país. Sempre sonhei com isso. Tenho feito as coisas bem e fiz tudo da melhor maneira possível para conseguir essa oportunidade. É algo único representar meu país. E sempre o farei da melhor maneira possível. A verdade é que quando eu era pequeno somente pensava no futebol, nada mais (risos). Cada momento, cada dia que passava, estava com a bola nos pés. Espero seguir crescendo na carreira.

E sua família? Esteve sempre presente e o incentivando a concretizar esse sonho?
Minha família sempre me apoiou e me motivou para crescer cada vez mais como pessoa e futebolista. Sou considerado o orgulho da minha família, porque fui o único que conseguiu vingar no futebol. Para mim é lindo representar minha família no futebol. Tenho dois irmãos mais velhos. Sou o caçula. Somos uma família muito linda e unida. Ela é minha felicidade, minha gana de tentar sempre ser melhor a cada dia. Minha família é tudo para mim. É minha motivação e minha felicidade. Espero sempre ser um orgulho aos meus pais e meus irmãos.

Orejuela

Você gosta de usar uma camisa do time de basquete do Boston. Se não fosse jogador de futebol, gostaria de ser atleta de basquete (risos)? O basquete é uma paixão?
Não, não (risos). Sempre pensei no futebol, não pensava em outro esporte. Apenas gosto de me vestir assim, uma camisa muito bonita. Às vezes assisto NBA quando estou tranquilo em casa.

Como era a época em que jogava no Deportivo Cali, seu primeiro clube e onde você começou a crescer dentro do futebol?
Quando pequeno, jogava nos bairros de Cali. E passei a atuar no Deportivo Cali por meio de um convênio com uma escola. Joguei assim por dois anos e aí sim passei ao Deportivo Cali. Joguei na base e, em 2014, cheguei à equipe principal e iniciei minha trajetória profissional.

E você teve a oportunidade de ser campeão colombiano em 2015 (Apertura), quando tinha de 19 para 20 anos.
Sim, tive essa oportunidade. Joguei poucas partidas, pois ainda estava começando minha trajetória no time principal. Mas foram momentos muito felizes. O Deportivo Cali é o clube onde sempre sonhei jogar, desde muito pequeno. Era um torcedor do clube desde criança.

Depois você foi para o Ajax, onde teve poucas chances. Apesar disso, classifica essa passagem como uma experiência positiva, de alguma forma?
Não foi a melhor experiência, pois tive poucas oportunidades. Joguei mais na equipe B. Mas na equipe principal não tive muitas chances. Claro que aprendi coisas. Cada experiência é um aprendizado. Aprendi muito lá. Caso tenha outra oportunidade no futuro, espero mostrar meu talento.

Sem dúvida. E boas atuações pelo Cruzeiro e também pela seleção podem fazê-lo desfrutar novas oportunidades na Europa no futuro.
Sim, sim. Sempre dou o melhor de mim. O sonho de cada jogador é atuar na Europa, jogar uma Champions. Cada vez mais tento fazer meu melhor.

Falando agora do Cruzeiro, como vem sendo a adaptação ao futebol brasileiro e ao país? Jogadores como Ariel Cabral e Lucas Romero, que não está mais na Toca, ajudaram você nesse processo?
Também sonhava em jogar no Brasil, por conta das grandes estrelas que surgiram aqui, como Ronaldo, Ronaldinho, Kaká, todos esses grandes jogadores. É também um país que deu à luz grandes laterais, como Daniel Alves. Estou muito feliz em defender este grande clube que é o Cruzeiro. Estou muito feliz aqui. Romero, Ariel e Barcos me ajudaram muito para a adaptação. E me sinto cada vez mais contente aqui.

Daniel Alves então é uma referência para você como lateral-direito? Quem seriam suas outras inspirações para a posição?
Claro, Daniel Alves é uma grande referência, um baita jogador. Gosto de um futebol mais bonito, como o praticado por ele e também por Marcelo. Gosto muito do futebol desses jogadores e quero seguir por este caminho.

O Cruzeiro passa por um momento muito difícil. Por outro lado, você vem sendo um dos destaques, e a torcida o apoia. De que forma você encara essas duas situações?
É uma situação difícil a qual o time se encontra. Mas acredito que vamos sair dessa, com todo mundo trabalhando e todos unidos, jogadores, comissão técnica, torcida, vamos tirar esse clube da zona onde estamos. É um clube muito grande para estar nesta situação. Vamos seguir trabalhando e dar nosso melhor.

O próximo adversário é o Internacional, time que venceu o Cruzeiro três vezes neste ano. De que forma você projeta a partida deste sábado?
É uma outra oportunidade. Vamos jogar na nossa casa, ao lado da nossa torcida. Sabemos que o Internacional tem uma equipe forte. Mas vamos lutar para conseguir a vitória.

No Cruzeiro, você já teve como treinadores Mano Menezes e Rogério Ceni. E Abel Braga chegou recentemente. Como vem sendo este início de trabalho do Abel, na sua opinião?
Para mim, todos os três são excelentes professores e excelentes pessoas. Aprendi muitas coisas com Mano e Rogério. E agora estamos com Abel, um treinador que anseia que a gente volte a ganhar e esteja numa posição melhor. Com todos unidos, esperamos que o clube possa melhorar.

Orejuela

Sei que não depende só de você continuar no Cruzeiro para os próximos anos, mas é do seu agrado permanecer na Toca por mais tempo, após o fim deste ano?
Claro. Gostaria de continuar aqui. Sou feliz aqui, o Cruzeiro é um clube grande e voltará a brigar por títulos. Quero continuar. Sei que não estamos num bom momento, economicamente falando. Vamos ver como podemos fazer para que eu possa continuar.

O que pensa de Belo Horizonte? Tem gostado da cidade? Quais lugares visitou?
Gosto muito do clima e que é uma cidade tranquila. É quase igual a Colômbia. A maior diferença está no idioma. Mas o clima, por exemplo, é igual. Aqui é muito lindo. Espero ter mais tempo aqui.

E sua família está presente com você em Belo Horizonte?
Estive há pouco tempo com meu pai, minha mãe, minha namorada, um primo e uma irmã que chegou recentemente. Meus pais já voltaram, e agora estou com minha namorada. Estou em casa.

Existe algum sonho que ainda espera alcançar?
Gostaria de um dia jogar num clube grande da Europa, como Barcelona ou Real Madrid. É um sonho. E trabalho sempre para um dia concretizá-lo.