Integrante da lista dos principais estaduais do Brasil, o Campeonato Mineiro é marcado por ser um dos mais fáceis para os clubes da capital, que raramente encontram dificuldades diante das equipes do interior. Neste ano a história tem sido diferente. E isso se deve às boas campanhas de Tombense e Caldense.

Este é um dos assuntos tratados nesta entrevista com Leonardo Barbosa, diretor técnico da Federação Mineira de Futebol (FMF), que fala também da importância deste cenário para a entidade e do aguardado clássico entre Atlético e Cruzeiro, em 7 de março, no Mineirão, pela oitava rodada.

Leonardo Barbosa

Qual é o balanço que a Federação Mineira está fazendo do Campeonato Mineiro?

Nossa visão é muito positiva. Porque tudo que a gente sempre quer, quando organiza um campeonato, é ter equilíbrio. A gente recebe muita crítica, de que o Campeonato Mineiro tem muita disparidade entre as equipes da capital e do interior. Então ver as equipes do interior liderando o campeonato e brigando de igual para igual com as da capital é motivo de muito orgulho. É sinal de que o trabalho está sendo bem feito.

Qual sua visão sobre o sucesso da Caldense e do Tombense? Acha que podem ser exemplos para outros filiados da federação?

Com certeza. Acho que tudo passa por gestão. As equipes se planejaram, e isso passa muito pelo fato de elas terem no calendário competições nacionais que pegam o ano inteiro. A Caldense joga a Série D, o Tombense está na C. Isso faz com que o planejamento seja feito a médio e longo prazo, não aquela máxima de montar um time e mandar todo mundo embora depois de quatro meses. Tendo o ano inteiro com calendário, eles conseguiram se planejar, e isso reflete dentro de campo. O maior exemplo que a gente tem da necessidade de ter calendário longo para as equipes do interior é justamente a campanha de Caldense e Tombense.

A boa campanha dessas equipes pode fazer com que pela primeira vez desde que a atual fórmula do Estadual foi adotada, Atlético ou Cruzeiro esteja fora da semifinal. Como a Federação enxerga isso?

Com naturalidade. Para a Federação, quanto mais disputado for o campeonato, melhor. A última coisa que a gente quer é ter um torneio polarizado, com disparidade. Quanto maior for o número de equipes com condição de disputar o título é melhor para a competição e a Federação.

Isso não passa só pela Federação, mas também pelos próprios clubes e órgãos públicos, mas vocês já têm alguma informação sobre como será feita a divisão de torcida no clássico dia 7?

A gente ainda não recebeu nenhum comunicado, mas ao que tudo indica será mantida a divisão de 90% (Atlético) e 10% (Cruzeiro). Até porque, existe uma recomendação recente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) de que nos casos em que houver pedido de torcida única pelas autoridades, eles vão determinar que as partidas sejam disputadas com portões fechados, para evitar qualquer tipo de desequilíbrio. Se o estádio não tem condição de receber a torcida visitante, ele não pode receber a mandante. Então o entendimento do STJD é de que se houver pedido de torcida única, os portões sejam fechados. Mas a gente não vislumbra essa oportunidade. Nosso sonho é fazer meio a meio, mas enquanto a gente não consegue, vamos trabalhar com o 90% e 10%. Agora, se o Cruzeiro vai pedir ou não a carga de ingressos, nós não sabemos.

Ainda estamos longe das decisões e estamos aproximando do clássico, qual é o balanço da arbitragem? Já existe alguma definição sobre juízes mineiros nos grandes jogos?

A regra é juiz mineiro sempre. Existe uma prerrogativa no regulamento que permite as equipes pedirem à Federação árbitros de fora. Até o momento, não recebemos nenhum comunicado, de nenhuma equipe. O retorno que temos da arbitragem neste ano vem sendo muito positivo, e espero que continue assim até o final. Não havendo pedido formal: árbitros de Minas em todos os jogos até o final. 

*Sob supervisão de Thiago Prata