O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), afirmou nesta sexta-feira (4), em Juiz de Fora, na Zona da Mata, ser preciso superar o "Fla-Flu" entre a presidente da República, Dilma Rousseff (PT), e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e iniciar a discussão, dentro do processo de impeachment aberto na Casa, se a presidente cometeu ou não crime de responsabilidade. O senador esteve em Juiz de Fora para participar de encontro regional do partido.

"O que temos que fazer é superar o Fla-Flu entre a presidente da República e o presidente da Câmara dos Deputados e discutir: houve crime?", disse Aécio. "A presidente cometeu crime de responsabilidade. Se cometeu tem que responder por isso, ou corremos o risco de criar quase que um salvo conduto para que o presidente da República ou detentores de cargos mais altos possam cometer crimes para se manterem no poder."

O "Fla-Flu" a que o parlamentar se refere é o atrito entre o governo e Cunha depois que o presidente da Câmara decidiu abrir o processo de impeachment contra Dilma. O deputado afirma que a presidente mentiu ao dizer que não autorizou barganha política envolvendo a aprovação da CPMF em troca de votos do PT a favor de Cunha no Conselho de Ética, que pode cassar o mandato do parlamentar por quebra de decoro.

O peemedebista é suspeito de ter recebido R$ 5 milhões de esquema de propina investigado dentro da Operação 'Lava Jato', e de ter contas secretas na Suíça. Por sua vez, Dilma, em pronunciamento depois do anúncio de Cunha de que aceitou um dos pedidos de abertura de impeachment contra a presidente, na quarta-feira (2), disse que não possuía contas no exterior.

Sobre a possibilidade de haver ou não recesso parlamentar, o que impactará no tempo para análise do processo de impeachment, Aécio afirmou que, inicialmente, a ideia era que a análise fosse feita o mais rápido possível. "Mas percebemos que há um atropelo enorme do governo para que não haja manifestações, para que a população não se inteire do que está acontecendo. Portanto, nossa decisão será tomada na terça-feira juntamente com outros partidos da oposição. O que há, no momento, são ponderações de movimentos sociais que gostariam de ter mais tempo para acompanhar mais de perto o desdobramento desse processo". Na avaliação do senador, o governo do PT acabou. "Esse é o lado bom da história", disse.