Se todas as previsões e projetos se confirmarem, daqui a dois anos a Fórmula 1 voltará a ser um esporte realmente empolgante. Isso porque, desde o final do ano passado, a administração da categoria (leia-se: Bernie Ecclestone e seus asseclas), a FIA (com o presidente Jean Todt à frente) e as equipes participantes estudam implementar mudanças mais radicais na F1.

A mais importante delas: um motor com pelo menos 1.000 cv de potência. Um monstro que transformaria os carros em verdadeiros foguetes. Atualmente, os F1 são empurrados por motores V6 1.6 litro turbo, com 600 cavalos (mais 160 cv extras gerados por um motor elétrico alimentado pelo KERS, o sistema cinético de recuperação de energia introduzido há alguns anos na categoria.

Mas os detalhes ainda não estão definidos. A Ferrari gostaria de ter a volta dos motores V8, na configuração 2.2 litros, biturbo, com limitação em 17 mil giros por minutos e sem twin turbo. A Red Bull/Renault compartilha dessa ideia. Já a Mercedes prefere evoluir a partir dos atuais motores 1.6l, V6 turbo, teoricamente mais econômico e menos poluente.

O pacote da “nova Fórmula 1” não prevê apenas motores com potências absurdas. Os carros serão mais largos, com pneus maiores, ruído elevado (algo de que sentimos falta nessa F1 de motores silenciosos de hoje) e demandarão um nível de pilotagem mais alto do que o que temos. Aparentemente, querem resgatar a figura do piloto “com braço”, técnica e talento. Enfim, querem mais show nas pistas, com velocidades maiores, e riscos maiores também. Afinal, o risco é um dos atrativos para se assistir a uma corrida.

Passar a potência dos motores para 1.000 cv – ou seja, 400 cv a mais do que a configuração atual – será um salto realmente significante. Ficaríamos mais próximos do motor mais potente da história da categoria: o BMW M12 e M13, que impulsionou os Brabham e os Benetton, de 1982 a 1987. Esses monstros despejavam, na sua configuração mais generosa, quase 1.400 cavalos em motores 1.5 litro turbinados! Nelson Piquet foi o primeiro campeão da era turbo, em 1983, a bordo de um Brabham. Na verdade, não se sabia a potência exata desses motores, pois os dinamômetros existentes na época só liam até 1.280 cv.

Acreditava-se ser acima de 1.350 cv.
Essas novas regras e configurações da Fórmula 1 entrariam em vigor já no próximo ano, mas as reuniões mostraram que isso representaria um preço elevadíssimo, especialmente para as equipes menores, que ainda estão às voltas com os custos de desenvolvimento dos atuais 1.6. Assim, decidiu-se que a Nova Fórmula 1 deva entrar em ação somente a partir de 2017.