No dia em que o Rei do Futebol completava 55 anos, Deisa Silveira estava em trabalho de parto no Rio de Janeiro. Mal sabiam ela e o marido, o ex-jogador Biro, que o bebê a caminho, primogênito do casal, seguiria os passos profissionais de Pelé, entrando em campo para fazer gols. Vinte anos depois, Clayton se prepara para dar um grande salto na carreira.

Neste domingo (13), no clássico contra o América, “Claytinho” será titular do Galo na estreia pelo novo clube. Mas a coroa de Edson Arantes do Nascimento não é a única inspiração para o atleta. Outra majestade é o espelho para o atacante brilhar com a camisa alvinegra.

“Minas terá um grande jogador. Tomara que seja um novo Reinaldo. Se jogar um pouquinho do que o Rei jogou, o Atlético é campeão. Reinaldo foi o maior atacante que eu vi”, afirma Alfredo Gonçalves, o Biro, pai do jogador.

Biro foi jogador do futebol, um meia de ligação com carreira discreta. Foi campeão da Terceirona do Mineiro, pelo Ipiranga de Manhuaçu, em 1987. Carioca de nascimento, radicado em Jaraguá do Sul-SC, criou uma escolinha de futebol, onde lapidou o talento do filho agora famoso.

Antes de o primogênito nascer, ele viu, do Rio de Janeiro, Reinaldo assombrar o Maracanã em 1980, na grande final do Brasileirão diante do Flamengo.

“Ele jogava uma barbaridade. Aquele Campeonato Brasileiro marcou muito. Ele quase acabou com o Maracanã também em 1980. Tiveram que expulsar ele”, acrescenta Biro.

Mas o desempenho de Reinaldo que deixou o pai de Clayton embasbacado foi em 1977. Outra vez, o título escapou na final. Mas os 28 gols em 18 partidas do “Rei” do Mineirão fizeram Biro nunca mais se esquecer do camisa 9 do Atlético, que comemorava gols com o punho cerrado no ar.

“Eu, começando a minha carreira, vi o Reinaldo construir o melhor desempenho individual de um jogador em um Brasileiro, em 1977. Ele não jogou a final, e o Galo perdeu o título. Além disso, a maior coincidência que existe é que o Clayton nasceu no mesmo dia de Pelé. Parece que foi até predestinação. O potencial dele é enorme. A torcida do Galo já pode se preparar”, conclui.
 
Além do Ipiranga-MG, o pai de Clayton jogou no Aymorés de Ubá, cedido pelo Porto Alegre-RJ (atual Itaperuna).