Aos 71 anos, o Troféu Brasil nunca viu o atletismo nacional tão forte. A competição, que começa nesta quinta-feira (14) na novíssima Arena Caixa, em São Bernardo do Campo (SP), deverá ter a participação de pelo menos 30 atletas classificados para os Jogos Olímpicos do Rio. Afinal, antes mesmo da abertura do período de tomada de índices na maioria das provas, os donos da casa já garantiram 32 credenciais para 2016, todas por méritos próprios. Em Londres-2012, a delegação brasileira teve 36 atletas, um recorde.

Só no Mundial de Revezamentos, realizado nos dois primeiros dias deste mês, em Nassau, foram 24 credenciais asseguradas - outros índices estão garantidos na maratona e na marcha atlética. Apesar de não ter ido ao pódio nas Bahamas, o Brasil classificou seus quatro revezamentos para os Jogos do Rio: 4x100m e 4x400m no masculino e no feminino. Os outros dois países que alcançaram o mesmo feito são as maiores potências da modalidade: Estados Unidos e Jamaica.

A competição no Caribe, aliás, deu uma mostra do atual momento do atletismo nacional, que briga por medalhas em poucas provas, mas vê cada vez mais brasileiros em condições de disputar finais. Se antes o País dependia dos resultados nos saltos horizontais, no revezamento 4x100m e de um ou outro talento esporádico, agora tem uma gama maior de provas em que pode fazer final olímpica ou mundial, encurtando o caminho até o pódio.

Que o diga Darlan Romani, que voltou a melhorar seu recorde brasileiro do arremesso de peso, com 20,90m. Nono do ranking mundial, tem tudo para quebrar a barreira dos 21 metros no Troféu Brasil. "Hoje eu vejo que é possível chegar numa Olimpíada e pensar num bom resultado. Eu estou lutando para isso", comentou.

Só nas provas de campo, o Brasil tem outros três atletas já classificados para o Mundial de Pequim (China), mas este número pode subir até 25 de julho, quando se encerra o período de tomada de índices. Depois de uma rápida aposentadoria, Geisa Arcanjo, finalista do peso nos Jogos de Londres, que garantir em São Bernardo do Campo a classificação para Pequim.

Nas provas de velocidade, as atenções estarão todas voltadas para Ana Cláudia Lemos, que quebrou o recorde sul-americano dos 100m há um mês, nos Estados Unidos, com 11s01. Se as condições climáticas se mostrarem favoráveis, a velocista tem chance de ser a primeira brasileira a quebrar a barreira dos 11 segundos, feito equivalente a correr na casa dos 9 segundos nos 100m para os homens - o que nunca nenhum brasileiro conseguiu.

Saltos

Campeã da Diamond League no ano passado, Fabiana Murer estreia na temporada outdoor depois de liderar o ranking indoor, com o salto de 4,83m que lhe valeu o novo recorde sul-americano. Sem adversárias à altura em São Bernardo do Campo, quer pegar ritmo para brigar pelo título mundial em Pequim.

Entres os homens, por enquanto só Fábio Gomes da Silva tem o índice de 4,65m para ir ao Mundial. Campeão mundial juvenil, Thiago Braz causou o rompimento da vitoriosa parceira dos técnicos Elson Miranda e Vitaly Petrov ao escolher pelo ucraniano e mudar de mala e cuia para Formia, na Itália. Se antes era companheiro de equipe de Fábio e Augusto Dutra na BM&F Bovespa, hoje é adversário. No Troféu Brasil, vai competir pela primeira vez pela Orcampi, de Campinas.

Com aposentadoria prometida para o fim do ano, Maurren Maggi está inscrita, mas desistiu de participar do Troféu Brasil, alegando dores musculares. Caso ainda pretenda se despedir nos Jogos Pan-Americanos, tem até o fim do mês para se classificar. A CBAt vai levar a Toronto os dois primeiros do ranking brasileiro de cada prova. Ela é a quarta melhor do salto em distância, dentre sete atletas que já têm índice.

Equipes

Desde 2010, os três primeiros colocados são sempre os mesmos: BM&F Bovespa-SP em primeiro, Pinheiros-SP em segundo e Orcampi-SP em terceiro. Campeã desde 1990 (antes como SESI São Caetano do Sul-SP, depois Funilense-SP), a equipe do ABC tem tudo para assegurar seu 26.º título seguido. Os dois rivais paulistas brigam pelo segundo lugar.

São 742 atletas inscritos no Troféu Brasil, sendo 731 representando clubes e 11 competindo por federações nacionais de Chile, Uruguai e Venezuela, entre outras. A enorme maioria (487) compete por equipes paulistas, especialmente as três "grandes". Santa Catarina tem 78 inscritos. Sede da próxima Olimpíada, o estado do Rio tem apenas 54 atletas no Troféu Brasil.