No início de uma temporada, o roteiro é o mesmo: uma parcela de torcedores e dirigentes de clubes questiona a qualidade do Campeonato Mineiro e clama por sua extinção. Por outro lado, o Estadual tem um papel crucial para fomentar uma das maiores rivalidades do país, novamente colocada à prova neste sábado (20), no Horto.

A própria história do confronto entre Atlético e Cruzeiro ajuda a defender a existência do Mineiro. Segundo estatística da Raposa, foram 490 jogos entre os rivais, sendo 272 pelo Mineiro. De acordo com o Atlético, o número é maior: 279 partidas pelo torneio, de 508 disputados no total. (Confira abaixo exemplos de episódios recentes da rivalidade). 

O ex-zagueiro e treinador Procópio Cardoso e o técnico e ex-atacante Marcelo Oliveira, que já disputaram e venceram finais de Mineiro pelos dois lados, defendem a continuidade do certame. Oliveira, porém, faz uma ressalva.

“Deveriam reduzir um pouco o calendário dos estaduais. Não há tempo devido para um atleta se preparar, e isso pode prejudicar no ano todo, com lesões. Mas o Estadual tem todo um charme e uma tradição”, diz.

Já Procópio vê o Mineiro como “fundamental para descobrir novos jogadores e alimentar a rivalidade”.

Memórias

O ex-zagueiro se recorda de seu primeiro clássico como jogador, o qual elege como seu dérbi favorito. “Saí do Renascença e fui para o Cruzeiro e, em 1959, enfrentei o Atlético. Tive que marcar o Ubaldo. O Cruzeiro venceu por 2 a 1, de virada”, relembra Procópio.

Oliveira também lista seus clássicos prediletos. “Como treinador, me marcou o título invicto de 2014, pelo Cruzeiro. E como jogador, defendendo o Atlético, vencemos o Mineiro de 1976, e eu fui considerado o melhor jogador da final. Ganhei como prêmio uma coleção de 18 LPs e 12 compactos dos Beatles.

História

A defesa pelo Mineiro se faz pertinente também pela carência de momentos decisivos entre os rivais em mata-matas fora do Estadual. Pela Sul-Minas, a Raposa eliminou o Galo nas semifinais de 2001 e 2002.

Já o alvinegro venceu nas quartas de final do Brasileirão de 1986 e de 1999 e conquistou a Copa do Brasil de 2014. Houve ainda a semifinal da Copa Ouro de 1993, em que o Galo levou a melhor nos pênaltis, após empate sem gols no tempo normal.