A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) encerrou na semana passada o inquérito sobre as irregularidades cometidas no Cruzeiro nos anos de 2018 e 2019. O documento será encaminhado ao Ministério Público (MP) que pode oferecer denúncia contra ex-dirigentes e empresários que participaram de algumas operações. A informação foi antecipada pelo jornalista Ezequiel Fagundes, da Record TV e confirmada pelo Hoje em Dia.

Em nota, a Polícia Civil afirmou que três ex-dirigentes do clube e quatro empresários foram indiciados (confira a publicação abaixo).

Os suspeitos são acusados de praticar os crimes de apropriação indébita, falsidade ideológica, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Segundo informações recebidas pelo Hoje em Dia, um dos empresários indiciados fez um empréstimo ao clube e outro participou de negociações de atletas.

No início da noite desta segunda, o Ministério Público de Minas Gerais confirmou que recebeu da Polícia Civil o inquérito que investiga supostas práticas de atividades criminosas por parte de dirigentes do Cruzeiro.

Agora, o MP vai analisar a investigação e decidir o que faz. Pode oferecer denúncia, pedir mais diligências ou arquivar o caso, o que é improvável. Isso porque nos bastidores, é comentada a harmonia entre os dois órgãos, que trabalharam em conjunto na investigação.

 

 

Atual diretoria se manifesta

Por meio da seguinte nota, a atual diretoria do Cruzeiro se manifestou, na noite desta segunda, sobre a conclusão do inquérito pela Polícia Civil:

O Cruzeiro Esporte Clube recebeu com grande felicidade, neste dia 10 de agosto de 2020, a informação de que a Polícia Civil de Minas Gerais concluiu as investigações da “Operação Primeiro Tempo” e as encaminhou ao Ministério Público do Estado, que agora ficará responsável por oferecer ou não as denúncias aos investigados citados no inquérito.

 

É público e notório que o Cruzeiro foi vítima de diversas práticas no mínimo questionáveis pela sua antiga gestão, que não só foram determinantes para o péssimo e infeliz resultado esportivo dentro de campo, mas que também prejudicaram de forma profunda a saúde administrativa do Clube, que só está se reerguendo graças ao apoio dos seus milhões de torcedores e também ao trabalho incansável de profissionais capacitados e que amam a instituição.

 

A partir de agora, o Cruzeiro aguarda ansiosamente os demais desdobramentos do caso, confiando na capacidade e seriedade dos profissionais do Ministério Público de Minas Gerais, sempre enfatizando que a torcida é única e exclusivamente para que a justiça seja feita, caso sejam de fato comprovadas as irregularidades.

O caso

A maior crise institucional da história do Cruzeiro teve início no dia 26 de maio do ano passado, quando o programa Fantástico, da TV Globo, veiculou uma série de denúncias envolvendo dirigentes que estavam à frente da Raposa.

A denúncia mais grave foi referente a um empréstimo de R$ 2 milhões adquiridos pelo Cruzeiro com o empresário Cristiano Richard dos Santos Machado, sócio de firmas que atuam na locação de veículos e de equipamentos de proteção.

Como garantia de quitação do débito, o clube, segundo inquérito da Polícia Civil, incluiu parte dos direitos de jogadores do time principal.

Alguns atletas que ainda estão nas categorias de base também tiveram os direitos econômico alienados – o que não é permitido pela FIFA – como o jovem Estevão Willian, de 12 anos, conhecido como “Messinho”. No caso de “Messinho”, inclusive, haveria outra infração, levando-se em conta que um atleta só pode assinar contrato com um clube a partir dos 16 anos.

No dia seguinte à divulgação da reportagem,  o ex-presidente do clube, Wagner Pires, o ex-vice-presidente de futebol, Itair Machado, e outros ex-integrantes da diretoria concederam entrevista coletiva na Toca da Raposa II com o intuito de tentar esclarecer os fatos.

Ainda no segundo semestre, Itair Machado  foi afastado do cargo. Já Wagner renunciou à presidência em dezembro, dias após o clube estrelado ser rebaixado à Série B do Campeonato Brasileiro.

Em maio, já sob o comando de um conselho gestor, que esteve à frente do clube até o dia 31 de maio (o atual presidente Sérgio Santos Rodrigues tomou posse no dia seguinte), o Cruzeiro entregou ao MP um relatório de mais de 600 páginas , que foi desenvolvido pela Kroll, especializada em gestão de risco, investigações corporativas, compliance e cibersegurança.

O estudo foi encomendado pelo conselho gestor para apurar os atos da antiga gestão do clube.

Além da responsabilização civil e criminal dos envolvidos pelo aumento da dívida, que hoje supera os R$800 milhões, a diretoria atual da Raposa pede que os responsáveis por esse déficit ressarçam os cofres da instituição.