MOSCOU – No estúdio montado aos pés da Praça Vermelha, Gary Lineker, artilheiro do Mundial de 1986, no México, com 6 gols, vê a Taça Fifa a metros de distância. Mas não pode tocá-la. Agora comentarista, ele foi a referência do último English Team a se aproximar da Copa do Mundo, em 1990, na Itália, quando a Premier League nem existia.

Agora, pela primeira vez desde a criação da competição que abriga a primeira divisão inglesa, que aconteceu em fevereiro de 1992, a Inglaterra volta à semifinal do Mundial.

Competição nacional de clubes mais rentável e organizada do planeta, o Campeonato Inglês ajudou a moldar ou ainda é o terreiro de ação dos principais jogadores de Inglaterra, França, Bélgica e Croácia, os sobreviventes nesta Copa do Mundo da Rússia.

Nesta terça-feira (10), em São Petersburgo, a Bélgica, que eliminou o Brasil na última sexta-feira, recoloca em campo o trio infernal formado por Lukaku, Hazard e De Bruyne.

Eles já dividiram o vestiário do Chelsea, quando Lukaku foi para o West Brom e Everton, até ser comprado pelo Manchester United. Na mesma cidade está De Bruyne, só que no City. O time de Guardiola ainda tem o capitão Kompany, companheiro de zaga na seleção de Alderweireld e Vertoghen, as muralhas do Tottenham.

ARTILHEIRO

Os Spurs cederam para o time da Rainha o principal jogador inglês nesta Copa do Mundo. Harry Kane, a marca de uma geração pós-Rio Ferndinand, Gerrard, Lampard e Rooney, que ficou marcada pelo fracasso em Mundiais.

Kane, inclusive, deve enfrentar seu contumaz rival de Premier League, o zagueiro croata do Liverpool Dejan Lovren, que depositará todas as fichas no brilhantismo do camisa 10 Módric, revelado ao mundo pelo próprio Tottenham antes de ir ao Real Madrid, da Espanha.

Do lado francês, um duelo particular entre dois goleiros de alto nível, e que dão as caras todo sábado na chuva inglesa. Lloris, mais um elemento fundamental do Tottenham, contra Courtois, a muralha do Chelsea, que ainda “cedeu” mais um dos craques dos Blues, o ladrão de bola Ngolo Kanté.

Se a zaga é formada por dois “espanhóis”, Umtiti, do Barcelona, e Varane, do Real Madrid, e o craque é do Atlétido de Madrid, Griezmann, a lista inglesa da França termina em alto nível com Paul Pogba (Manchester United), além de Olivier Giroud (ex-Arsenal e atualmente no Chelsea).

LANTERNAS

Mas não só as potências do futebol do Reino Unido que estão representadas neste Mundial da Rússia.

Nestas semifinais, dos 92 jogadores das quatro seleções, nada menos que 40 disputaram a última edição da Premier League, que terminou com festa do Manchester City, clube que tinha mais atletas no início da competição (16).

Essa marca cabe agora ao Tottenham, que além do francês Lloris, da dupla de zaga belga Alderweireld e Vertoghen e do artilheiro Kane, tem mais cinco atletas em ação na Copa, totalizando nove.

Depois aparecem os rivais de Manchester, o City e o United, com sete jogadores cada. O Chelsea, do gigante Courtois, tem seis.

Eles são os times que mais cedem jogadores para a semifinal. Entretanto, até mesmo os lanternas da última temporada da Premier League (West Bromwich e Stoke City) ainda têm atletas brigando pela Copa que a Inglaterra sonha em vencer após 52 anos de espera e tendo um time 100% formado e atuando em casa, situação única entre as 32 seleções deste Mundial. 

bmw russia

English Team tem a confiança do andarilho da BMW

Os policiais mal encarados da patrulha de trânsito de Moscou acabam com a festa. A BMW azul calcinha precisa sair do local proibido para estacionar (atrás da Catedral de São Basílio). As fotos dos turistas acabam no veículo todo enfeitado, que vai embora com a bandeira da Inglaterra pregada na lataria e a mensagem no capô: “living the dream” (vivendo o sonho).

O piloto do enfeitado veículo, Mal Sing, é pura confiança no título inglês. Os ramos de flores já estão velhos, ao formarem o único ano em que os inventores do esporte venceram a Copa (1966). É hora de renovação, e nada melhor do que ter um time jovem.

“Exatamente como aquele de 1990, que tinha energia da juventude e muita união. Era o time do Lineker e do Gascoigne”, diz o arquiteto que viajou de Londres a Moscou a bordo do carro . “Este BWM é único no mundo”, garante ele.

A certeza da vitória é partilhada justamente pelo ex-atacante e ídolo inglês citado e apontado por Mal, que se encontrava no estúdio da BBC montado às costas da Catedral da Praça Vermelha, o maior ponto turístico da capital russa.

Estúdio este que, num dos roteiros do programa comandado por Lineker, mantém o escrito: “Ela (a taça) está indo pra casa!”.