No Circuito Mundial de Surfe, Gabriel Medina é considerado o melhor remador entre os surfistas, ou seja, ele ganha dos adversários nas braçadas e consegue voltar para atrás da arrebentação antes, garantindo a prioridade na onda. Foi assim em sua bateria de estreia na etapa de Pipeline, no Havaí, quando ele saiu atrás de Keanu Asing, ganhou na velocidade e ficou com a prioridade na bateria.

"A gente já viu ele aqui remando mais que o Keanu, disputando a prioridade e ganhando, então ele está realmente bem preparado", afirmou Allan Menache, que é o técnico pessoal de Gabriel Medina para a preparação física. Foi ele quem colocou o atleta em forma para a disputa no Havaí, em um trabalho que vem realizando com o surfista há algumas temporadas.

"No ano passado, a gente teve um pouco mais de janela para treinar porque o Gabriel veio mais tarde para o Havaí. Dessa vez ele veio mais cedo, o que obrigou a gente a antecipar um pouco a semana de treinos, mas ela foi muito proveitosa. A gente conseguiu aliar treinamento físico com a participação dele no WQS de Maresias. Tivemos bons dias de treinos e o Gabriel saiu muito confiante do Brasil", contou.

Menache explica que a manutenção do preparo físico normalmente é feita por Charles Saldanha, técnico e padrasto de Gabriel Medina. "Ele já sabe o que precisa fazer com o Gabriel nos dias sem competição. Ele aplicou toda aquela base de treinamento, que a gente conversou muitas vezes. Acho que o Gabriel está bem treinado, confiante, e a gente tem convicção de que ele vai se dar bem aqui no Havaí e trazer o bicampeonato, além da vitória no Pipe Masters e na Tríplice Coroa Havaiana".

O preparador físico faz um trabalho específico para ondas grandes e pesadas como Pipeline. Através da atividade física, ele dá uma base de força muito grande nos primeiros dias de treinamento, seguido de trabalhos de potência e de condicionamento cardio, que é importante para que o surfista tenha uma boa remada.

Segundo Menache, as dificuldades de Gabriel Medina no início da temporada não foram por causa do preparo físico. "Quem acompanha e está do lado dele pôde perceber que os primeiros meses do ano a quantidade enorme de compromissos com patrocinadores, em função do título mundial, provocou uma queda de rendimento, com uma divisão do foco. Isso geralmente atrapalha o atleta, pois ele fica com menos tempo para treinar", concluiu.