Dois assuntos tomam conta há uns dias das sedes do Cruzeiro, tanto a administrativa quanto as sociais, e mexem também com a expectativa do torcedor. São eles: o patrocínio master e uma assembleia-geral para discutir um empréstimo que unificaria à dívida do clube com apenas um credor.

Informações divulgadas recentemente pelo Superesportes, e confirmadas pelo Hoje em Dia, dão conta de que o Banco Renner, instutição financeira do Rio Grande do Sul, será o parceiro da Raposa. Entretanto, a marca a ser estampada na camisa do clube é a Digi +, que trabalha com contas digitais sem custos para o público, e que renderá ao clube celeste uma parcela dos lucros oriudos das movimentações financeiras. 

Veja os pontos principais da entrevista do presidente Wagner Pires de Sá

Patrocínio Master

“Estamos negociando o patrocínio máster há algum tempo. Descobrimos também que os patrocinadores, principalmente o pessoal da área financeira, descobriu que o futebol é um dos elementos melhores para expandir o seu mercado. Estamos acertados, só que por uma questão ética e de acordo de confidencialidade, nós só queremos fazer o lançamento oficial de uma forma em que todos os torcedores possam comparecer, a imprensa em geral, vamos comunicar. Está acertado o patrocínio máster” garantiu em entrevista ao programa Rádio Esportes, da Rádio Itatiaia.

Valor maior que o pago pela Caixa?

“Diria que o avanço é considerável, é alto, bem melhor (que o patrocínio da Caixa). Esse é o grande gancho. Temos que pegar os nossos 9 milhões de torcedores e participar junto com o Cruzeiro, sem custo para o torcedor. Só dessa fidelização, só do engajamento junto com a gente com esse novo patrocinador. Vamos dar alegrias ao Cruzeiro, e aos nossos torcedores”

E essa assembleia marcada para falar do pedido de empréstimo com garantias dadas pelo Cruzeiro?

“Nós convocamos uma assembleia extraordinária, essa assembleia eu já havia pedido desde o início da nossa gestão, no começo de 2018, e falei da necessidade de fazermos uma assembleia geral de forma acertar os problemas iminentes que aconteciam com as finanças do Cruzeiro. Recebemos, isso faz parte da dificuldade do futebol brasileiro, um endividamento enorme, alguns preocupantes, que são as dívidas com a Fifa que se não forem acertadas em tempo podemos ser penalizados até com a queda de série. Temos dívidas com o governo federal, se não estivermos em dia, seremos penalizados com a perda do Profut e dos financiamentos que fizemos, o Refis, que foi feito pelo governo. Houve mal-entendido, porque me parece que no edital de convocação (da assembleia) falou-se em dar em garantias bens econômicos do Cruzeiro, mas isso era para acertar uma medida legal de imóveis que foram dados em garantia ao Governo Federal nas gestões anteriores. Me parece que o imóvel da sede principal, na rua Timbiras, foi dado em garantia à dívidas com o Governo Federal de outras presidências há mais de 10 anos, já pegamos esse imóvel garantido. Isso era para dar satisfação legal ao Conselho, conscientizar que já existe esse problema”

Reunião para falar da reorganização financeira? E os juros da possível operação?

“Nós estamos, como eu pedi à assembleia geral, tentando organizar as finanças do Cruzeiro, tentando colocar uma trégua nessa luta que vamos enfrentando com dívidas passadas. A gente consegue fazer o dia a dia com acordo, mas às vezes não conseguimos colocar o para-casa em dia por coisas passadas com taxas de juros no mercado nacional muito altas. Então, o que nós propusemos, inclusive pedimos ao Conselho que se tivesse medidas melhores, que estávamos abertos ao diálogo. Estamos aproveitando o que nós chamamos de efeito Bolsonaro, ou seja, o mercado internacional está olhando o Brasil com outros olhos, dinheiro que corre no mundo, os investidores, investimentos, aqueles que querem financiar alguma coisa e correm atrás de rendimento, olham o Brasil com outros olhos. Eles estão vendo daqui para frente que há possibilidade de ter garantias legais, de que o País vai cumprir com seus deveres. Então, nós vamos aproveitar esse portal, essa janela que está se abrindo, e tentar conseguir junto a esses organismos internacionais um financiamento em que possamos substituir os diversos credores que hoje nós temos, e que são dívidas complicadas. Se for dívida trabalhista se você não cumprir, 50% de multa mais multa e juros, e correção monetária. Se for dívida com o Governo Federal, se você não cumprir tem multas de 20% até 100%”

Então, em suma, o que aconteceria é à unificação da dívida com um único credor?

“Exatamente, esse é o princípio do nosso pensamento. É liquidar credores antigos, inclusive, que vai poder nos dar oportunidade de até negociar. Quando você tem uma dívida e ela vem se alongando no tempo, podemos reorganizar e até baixar a taxa de juros. Se hoje a taxa de juros do Cruzeiro está em torno de 1,7%, 1,8% ao mês, vamos conseguir financiamento abaixo de 1% (juros). Está entre 0,9%. Vamos substituir o nosso endividamento que hoje gira em torno de 1,5% para 0,9%. Vamos baixar quase 60% dos custos”

E reforços, presidente? Raniel sai?

“O Cruzeiro em 2019 está bem mais forte que em 2018. Estamos com time completo, fizemos contratações pontuais que a gente sempre fala, nossa comissão técnica, conversando com o Mano Menezes e sob o comando do Itair Machado, a gente tem cumprido com as necessidades. É muito importante e bom para nós, todos os times querem algum jogador do Cruzeiro. Raniel é uma peça importante do Cruzeiro. Nós não vamos dispor do Raniel, que é um futuro brilhante, tem 22 anos, um dos atacantes que melhores a gente tem visto dentro do país pela idade. E nós vamos dar à torcida esse elenco de jogadores. Costumo dizer que temos cinco grandes disputadas, todo mundo fala em quatro, eu cito cinco: Mineiro, o Brasileiro, a Copa do Brasil, a Libertadores e o campeonato mundial que é o que nós estamos perseguindo. Para isso nós temos que ter um grande time, temos que ter elementos que substituam um ou outro com mesma performance. O Raniel vai ficar com a gente, e é bom que todo mundo fique atrás, pois isso mostra o valor do nosso elenco”.

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