Cruzeiro, sérgio santos rodrigues, presidente

O presidente do Cruzeiro divulgou na noite desta terça-feira pronunciamento oficial e confirmou ter participado de encontro com membros de torcidas organizadas na última segunda-feira, um dia antes de protesto marcado pela má fase do clube, como publicou o Hoje em Dia.

Sérgio Santos Rodrigues se pronunciou sobre a conversa que teve com os torcedores e disse que o clube está aberto para conversas plurais.

“Prestar esclarecimentos de uma reportagem recente que saiu, dizendo que a diretoria se reuniu com torcida organizada para pedir trégua ou oferecer alguma coisa para poder fazer com que eles não participem de protesto, algo que não condiz com a realidade. Nossa diretoria é pautada pela transparência e diálogo desde o início da gestão. Recebemos diversos tipos de torcidas, seja organizadas, seja grupos de internet, organizados também ou não, torcedores comuns, na medida do possível recebemos todo mundo”, disse.

Coincidentemente, a reunião aconteceu no dia em que o grupo “Nascidos Palestra, Forjados Cruzeiro 1921 (NPFC 1921)” convocou protesto para cobrar pela má fase do time na Série B do Campeonato Brasileiro. O Cruzeiro é o 15º colocado, com oito pontos, e na semana passada perdeu por 3 a 1 para o CSA, o então lanterna da competição.

Tal protesto convocado pelo NPFC aconteceu na manhã desta terça, na porta da Toca II, e contou apenas com torcedores comuns e membros de uma das organizadas do Cruzeiro. Outras seis que integram o Conselho Azul não compareceram ao protesto.

“Cientes da última vez que haveria uma manifestação no aeroporto quando a gente retornou recentemente do jogo em Maceió, vimos muitas reclamações depois da torcida querendo que a diretoria prestasse satisfação no aeroporto, quando ali não era o momento adequado. A gente estava vindo de uma viagem de 14h, todo mundo cansado, todo mundo tinha levantado cinco e meia da manhã. Imediatamente, no dia seguinte, a gente fez questão de se reunir sim com alguns torcedores, que falaram que queriam ouvir da diretoria o que a gente pensa, o que está acontecendo”, justificou.

Sigilo absoluto

Apesar de explicar oficialmente o motivo do encontro, até a reportagem dar publicidade ao fato a reunião entre o presidente do Cruzeiro e os torcedores organizados estava sob total sigilo. Nenhuma das partes tratou do assunto ou publicou foto do encontro como aconteceu no dia 5 de setembro, quando o próprio Sérgio Santos Rodrigues, na companhia de outros dirigentes, como o diretor técnico Deivid, o supervisor Benecy Queiroz e o diretor de futebol Ricardo Drubscky, recebeu dentro da Toca II alguns membros de torcidas para um diálogo.

“O primeiro protesto que houve recentemente na Toca da Raposa, a gente fez questão de receber algumas pessoas que estavam lá, sem a diretoria sequer saber se era torcida organizada, se não era, se era facção diferente de outra, recebemos as pessoas que estavam lá”, disse.

“E nesse sentido fomos falar, e não pedimos hora nenhuma que deixe de protestar, pelo contrário, achamos que o protesto desde que seja pacífico, que não seja batendo em portão, batendo em carro de dirigente, como aconteceu com o meu da outra vez na Toca, que não seja soltando foguete em direção ao prédio ou às instalações do Cruzeiro, todo tipo de protesto é válido. O que a gente quis foi simplesmente explicar a essas pessoas o trabalho hercúleo que essa diretoria tem feito, e que às vezes, infelizmente, não é o resultado que todo mundo espera no futebol”, complementou.

Sérgio Santos Rodrigues ressaltou ainda no vídeo que sua gestão não oferece benesses a ninguém, como acontecia em outros tempos, principalmente nas últimas temporadas, quando conselheiros e até torcedores foram remunerados pela diretoria de Wagner Pires de Sá.

“ (...) o grupo de internet que acusa de pessoas serem compradas. Todo mundo sabe que a gente não age dessa forma, não há oferta de dinheiro para ninguém, nem para torcida, nem para grupo de torcedor, nem para conselheiro ou qualquer pessoa envolvida no Cruzeiro. Assim, muito trabalho, muita dedicação e transparência”, comentou.

Apoio aos protestos pacíficos

O presidente disse ainda que o Cruzeiro não é contra os protestos de torcedores, desde que tais manifestações sejam pacíficas.

“Meu pedido quando encontrei com essa torcida, quando eu falo com todo mundo, com esses torcedores, foi de apoio, que é isso que o Cruzeiro precisa. Ano passado invadiram a Toca da Raposa, ameaçaram jogador e deu no que deu, o Cruzeiro foi rebaixado. A minha visão é que violência e ameaça não muda nada, pelo contrário. E querer conversar com jogador também não muda. Claro que os jogadores sentem, todo mundo viu como eles ficam, como dão entrevista. O Fábio escreveu no seu Instagram um relato muito bacana dizendo que se cobra muito e todos são assim, e a diretoria se cobra muito. Então, quero evitar que isso aconteça, parece que já tem burburinho de uma torcida que está brigada com a outra (...) Aqueles que têm qualquer dúvida sobre o nosso trabalho, tem abertura total para nos procurar, a gente vai tentar receber na medida do possível”, garantiu.

Assista na íntegra o pronunciamento do presidente sobre a reunião com torcidas organizadas