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O presidente do Cruzeiro, Sérgio Santos Rodrigues, quer discutir no Conselho Deliberativo da Raposa a alienação de um imóvel do clube no bairro Santa Amélia, região da Pampulha, em Belo Horizonte. O intuito do mandatário celeste é pegar um empréstimo bancário para quitar dívidas na Fifa dando o local como garantia de pagamento.

"O objetivo é usar os recursos obtidos com o imóvel nos compromissos financeiros junto à Fifa, especialmente o Al Wahda, que gerou uma punição de seis pontos ao Cruzeiro na Série B do Brasileiro. E caso a dívida não seja paga no novo prazo, que ainda não tem data marcada, pode gerar rebaixamento de divisão", diz parte de texto publicado pelo Cruzeiro no site oficial.

 

Em documento enviado por Rodrigues ao presidente do Conselho, Paulo Pedrosa, o executivo da instituição solicita que seja convocada uma reunião extraordinária para que o assunto seja discutido no dia 3 de agosto, no salão nobre do Barro Preto. A informação foi adiantada pela rádio 98 FM. 

"Pauta: Autorização para alienação de imóvel do Cruzeiro Esporte Clube, localizado à rua das Canárias, nº 269, bairro Santa Branca, com o fim específico de cumprir os compromissos financeiros junto à Fifa, em cumprimento no artigo 20, inciso VI, do Estatuto Social", diz parte do documento assinado pelo presidente cruzeirense.

O imóvel escolhido para essa alienação bancária na intenção de conseguir um empréstimo é denominado de "Campestre 2" e fica em frente ao clube Campestre. Esse prédio é um anexo do maior espaço social da Raposa e possui mais de um pavimento, além de uma garagem ampla com capacidade para algumas centenas de carros.

Nos anos 1990, o prédio era frequentado por sócios do Cruzeiro, que utilizam mesmo que de forma tímida à área da piscina e lanchonete. Fechado há vários anos, a Campestre 2 funciona atualmente como estacionamento. 

Nesse período de pandemia, como os clubes sociais não podem abrir, a Campestre 2, um terreno subutilizado, está totalmente ocioso. Por isso o presidente justifica sua tentativa de vender o imóvel. 

“Por mais que nós tenhamos tomado várias decisões importantes, para restabelecer a confiança do mercado e honrar os nossos principais compromissos neste ano, que são o pagamento das dívidas na Fifa e os salários, algumas mudanças mais contundentes ainda precisam ser feitas, como a venda de imóveis. E diante da dívida que o Cruzeiro ainda tem com o Al Wahda, queremos trazer para o Conselho Deliberativo esta intenção da venda deste imóvel que o Clube possui, que não tem utilidade social, que é a Campestre 2. Esta é uma área que não é explorada diretamente pelo Clube, é um estacionamento terceirizado e que inclusive é deficitário. Os recursos serão importantes para auxiliar no pagamento destas dívidas que impactam diretamente na vida do Cruzeiro. Esperamos contar com o apoio dos conselheiros”, afirmou o presidente em entrevista ao site oficial celeste. 

 

Autorização para alienação

Alienar um imóvel do Cruzeiro exige procedimento burocrático que começa, exatamente, com a análise do Conselho Deliberativo do Clube.

O artigo 20 do Estatuto do clube aponta que para ser autorizada uma alienação em imóveis do Cruzeiro será preciso aprovação de 90% dos membros do Conselho Deliberativo. 

Essa prerrogativa está disposta no parágrafo V e cita que a proposta para tal deverá ser "altamente vantajosa". 

"Autorizar a alienação de bem imóvel do Cruzeiro Esporte Clube, excluídas as unidades que compõem o Parque Esportivo do Barro Preto, o Centro Administrativo, as Sedes Campestres, a Toca da Raposa I e a II, imóveis somente alienáveis em situação altamente vantajosa para o Cruzeiro Esporte Clube, mediante proposta aprovada por 9/10 (nove décimos) dos Conselheiros", diz. 

Imóveis

O Cruzeiro possui seis imóveis registrados, mas com pendências de documentação. São eles: Toca da Raposa I, Toca da Raposa II, sede Administrativa, Parque Aquático do Barro Preto, sede Campestre (sede Pampulha) e Campestre 2 (hoje um estacionamento). 

Em entrevista recente no começo de 2020 o empresário Vittorio Medioli, que ocupou o cargo de CEO do Cruzeiro após renúncia do então presidente Wagner Pires de Sá, disse que todos os imóveis do clube estavam avaliados em R$ 800 milhões.
Medioli disse que a Campestre 1 e a Campestre 2, juntas, valeriam algo em torno de R$ 500 milhões, segundo documentos que ele mesmo havia encontrado na sede do clube. 

"A Toca da Raposa I, Timbiras e o Barro Preto são cerca de R$ 300 milhões. O resto tem variação de R$ 500 milhões. (Essa avaliação) foi encontrada por mim, lá dentro", disse ele em janeiro à TV Globo. 

Leia na íntegra o documento enviado por Sérgio Rodrigues à Mesa do Conselho

Ilmo Sr.
Paulo César Pedrosa
Presidente do Conselho Deliberativo
Sede Administrativa - Cruzeiro Esporte Clube

REF: Solicita reunião extraordinária do Conselho Deliberativo

Nos termos do disposto no art. 21, inciso II, "b", c/c o art. 27, inciso X, do Estatuto Social do Cruzeiro Esporte Clube, servimo-nos da presente para solicitar a V.Sa, na qualidade de Presidente do Conselho Deliberativo desta entidade, que realize a convocação do Conselho Deliberativo, em reunião extraordinária, no prazo de 15 dias, contados da publicação do edital, a ser convocada com as informações a seguir e cuja pauta para deliberação será a seguinte: 

Reunião Extraordinária
Data: 03/08/2020 (segunda-feira)
Local: Salão Nobre Barro Preto - Rua Guajajaras, 1722
Horário: 18h30

Pauta: Autorização para alienação de imóvel do Cruzeiro Esporte Clube, localizado à rua das Canárias, nº 269, bairro Santa Branca, com o fim específico de cumprir os compromissos financeiros junto à Fifa, em cumprimento no artigo 20, inciso VI, do Estatuto Social

Assim, solicitamos a V.Sa, que tome todas as providências necessárias para a designação da reunião, com a necessária publicação do Edital.

Atenciosamente,

Sérgio Santos Rodrigues
Presidente do Cruzeiro Esporte Clube