Mais jovem presidente eleito da história do Minas Tênis Clube, Ricardo Vieira Santiago nasceu em 6 de outubro de 1967, em Belo Horizonte, e desde 2017 ocupa a cadeira que um dia teve como dono o pai, Urbano Santiago. 

Sócio do Minas desde a infância, Ricardo foi atleta de vôlei do clube, integrando a equipe Fiat/Minas, tricampeã brasileira nas temporadas 1984, 1985 e 1986, e bicampeã sul-americana em 1984 e 1985, além de figurar nas seleções brasileiras de base. 

Graduado em Administração, pós-graduado em Finanças e com MBA em Gestão de Negócios, o entrevistado desta semana na seção Papo em Dia é há 25 anos o gerente geral de Captação de Rede e Institucional do Banco Mercantil do Brasil. 

Apaixonado por esportes, Ricardo Santiago diz que todo o aprendizado em quadra fez com que ele desenvolvesse a competitividade e a lealdade, e aprendesse a lidar com pressão.

Como o Minas tem aproveitado a estrutura para a canoagem em Alphaville, considerada uma das melhores do país que foi usada pela Grã-Bretanha na preparação para a Olimpíada? 

Esta interação com os britânicos foi muito importante para nós, em troca de sinergia, tecnologias, melhoria de processos, principalmente voltados aos esportes. Eles não nos escolheram à toa. A própria natureza, a própria condição do clube favorece aos esportes náuticos, obviamente. Estamos procurando investir e iniciar este DNA do esporte por lá. É de nosso interesse desenvolver a área náutica também. Já estamos filiados às federações e também iniciamos alguns cursos de vela e canoagem. Para chegarmos à ponta, o investimento na base é muito importante. O esporte profissional demanda muita tecnologia, muito investimento, e leva tempo. 

Trazer um atleta do nível do Isaquias Queiroz para dar força ao projeto é um pensamento?

Este é um segundo passo. Estamos conversando com a Federação de canoagem para iniciar com jovens atletas, numa parceria. É começar com a juventude para depois desenvolver a parte profissional também.

“As empresas de fora não investem porque não estamos em São Paulo. Perdemos várias oportunidades assim. A timidez do empresário mineiro em investir no esporte também é outro problema que temos. Quando investem, o fazem fora”


Ao mesmo tempo em que temos o time de vôlei feminino com um grande patrocínio, lutando por títulos, temos o futsal com menos investimentos, montando uma equipe mais modesta. Como o senhor avalia essa situação? 

É a condição econômica do país. A gente tem um cuidado muito grande e costuma tratar as partes profissionais com o investimento da iniciativa privada. Dentro disso, não posso tirar a receita para que o associado banque as equipes. O que traz mais visibilidade e que os investidores nos procuram é o vôlei, o basquete e a natação. Porém, não quer dizer que a gente não invista.

O Minas tem quatro unidades, 80 mil associados, e uma arrecadação equivalente ao 26º Município de Minas Gerais. Qual o mérito da prosperidade do Minas?

Os números são similares a uma cidade. O momento econômico que vivemos é muito difícil. O clube é muito bem em termos técnicos, pois funcionamos como uma empresa. Temos um mapa estratégico, todas as funções de cada um dos colaboradores são bem definidas. Quando entramos, em 2017, fizemos algumas mudanças, principalmente no organograma. O simplificamos, tornamos o clube mais horizontal possível, eliminamos cargos de duplicidade e isso fez com que o clube desse um salto de rentabilidade e nos deu condições de investir em outros seguimentos, como tecnologia, treinamento, em melhorias físicas e no próprio esporte.

ricardo

Há uma estimativa de quantos atletas e profissionais o clube pretende ceder para o Brasil na disputa dos Jogos Olímpicos de Tóquio?

Quantidade ainda não. Mas temos boas expectativas na natação, na ginástica, no judô, no vôlei feminino e também no masculino. É complicado citar nomes, pois ainda está longe. Vai depender muito de como os atletas estarão na época.

Do ponto de vista esportivo, quais modalidades o clube considera que tem mais chances de conquistas expressivas em curto prazo? 

Resultado a curto prazo não existe no esporte. O vôlei feminino, por exemplo, está construindo há muitos anos esta trilha. Pensamos sempre em médio a longo prazo. A maioria das outras equipes são projetos que passam. Eles vão passar e o Minas vai continuar.

Há algum contato de alguma delegação ou do próprio COB para que o Minas ceda sua estrutura para a preparação para a próxima Olimpíada? 

Com o COB nada. Estes órgãos são muito independentes. Os clubes não têm voz lá dentro, apesar de terem uma cadeira. Esta interação entre os poderes não existe. Tem que fazer um busto para cada clube em praça pública porque é quase uma guerra. Ficamos com o ônus e nem tanto com o bônus. Nós formamos atletas e temos a despesas. As receitas vão para o COB e as federações. Não vemos nada.

Dos R$ 35 milhões que o Minas gasta por ano em esporte, quanto é de recurso próprio?

O Minas só coloca dinheiro dele na infraestrutura. Todos os atletas profissionais são remunerados por patrocinadores. Cerca de 60% deste dinheiro é de recurso próprio. Imagina quanto custa a Arena e toda estrutura de treinamento... 

É difícil se manter no topo das nove modalidades. Porém, retomamos posição importante no cenário nacional. Temos um núcleo de ciência e tecnologia que é um dos melhores do país’ 

Qual o principal objetivo da sua gestão? Qual legado pretende deixar? 

Podemos evoluir muito no esporte e em tecnologia. Nesta primeira gestão, estamos aumentando a interatividade com os fãs. Hoje o clube é o maior de todos os clubes sociais nas redes. Isso é um dos investimentos que estamos fazendo. Temos nove canais. Todas as nossas unidades são ligadas por fibra ótica, trocamos todas as catracas para habilitar o aparelho de celular como catalizador de entrada (QR Code), estamos trocando nosso aplicativo para aumenta a interatividade... isso dará uma valoração maior no fechamento de contratos. Isso é o futuro. Nosso objetivo é entrar no nível de equipe de futebol. 

Qual o papel do Minas como clube para Belo Horizonte e para Minas Gerais? 

A história do Minas se confunde com a história da cidade e do Estado. O Minas é um catalizador de tudo, principalmente em desenvolvimento. O Minas nasceu em 1935 como uma praça de esportes e chegou a esta potência que é hoje. Este desenvolvimento passa pelos nossos quatro pilares. Fomos eleitos em 2017 como o Clube Cultural do ano no país. Hoje, o maior centro cultural de clubes do país é o nosso. Similar são apenas os dois do Banco do Brasil.