Domingo, chuva e hino do Brasil. A combinação significou muita alegrias ao fãs de Fórmula 1 durante as décadas de 1980 e 1990 e teve como ponto de partida o dia 21 de abril de 1985. Há 30 anos uma vitória incontestável de Ayrton Senna no GP de Portugal foi a primeira dele na categoria e suficiente para colocar de vez o então jovem de 25 anos como candidato a estrela do automobilismo.

Veja o momento da bandeirada:


O autódromo de Estoril estava sob um temporal naquele domingo. A pista escorregadia exigia um talento raro para dar conta de escapar das armadilhas sem cometer erros. Nas longas duas horas e 67 voltas da prova, 17 dos 26 pilotos abandonaram e nenhum deles conseguiu acompanhar Senna. O brasileiro, que havia conquistado no sábado a primeira pole position da carreira, liderou de ponta a ponta e cruzou a linha de chegada com mais de um minuto de vantagem para o segundo colocado, o italiano Michele Alboreto, da Ferrari.


A habilidade em guiar na chuva já era conhecida desde o ano anterior, quando em Mônaco o piloto, então estreante na categoria e guiando pela Toleman, conseguiu chegar na segunda posição. Mas faltava a Senna a oportunidade de guiar um carro competitivo, como teve em 1985. A Lotus preta e dourada era a chance de figurar no pelotão dos líderes e se na abertura da temporada lhe faltou sorte para pontuar no Brasil, na etapa seguinte tudo foi favorável.

A chuva que tanto fazia os adversários rodarem em Estoril, ajudou Senna a ter uma prova tranquila. Ganhar logo na segunda corrida pela Lotus foi o que o brasileiro precisava para comprovar o quanto tinha potencial para se tornar um dos melhores pilotos da história. Também em 1985, ele também ganharia o GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps, quando novamente foi pole position.

Senna, conhecido pelas vitórias na chuva, ganhou a primeira prova em um domingo de notícia triste para o Brasil. Eleito para assumir a Presidência da República, Tancredo Neves faleceu no mesmo dia em São Paulo vítima de problemas intestinais. Em seu lugar assumiu o seu vice, José Sarney, o último a comandar o País antes da volta das eleições diretas, em 1989.