Chapecó, cidade no oeste de Santa Catarina, amanheceu chuvosa e com o céu nublado nesta terça-feira (29). Às 4h, o telefone do jovem Lucas Isidoro, meia dos juniores da Chapecoense, tocou com a notícia que desolaria o país inteiro horas depois: o avião da equipe principal havia caído na Colômbia.

Assustado ao ver o número do empresário e o ponteiro do relógio, o belo-horizontino, de 20 anos, pensou que algo de ruim havia acontecido com a mãe, Nadia, ou com a avó, dona Edith. Não era com elas.

Revelado no Villa Nova, Lucas, ou Dodô, como é conhecido no meio da bola, assinou contrato com a Chape em agosto no ano passado, com o sonho de chegar ao profissional e alavancar a carreira.

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Titular em três partidas do Campeonato Catarinense, o meia ainda não acredita no desastre que tirou a vida de dezenas de pessoas com as quais convivia diariamente.

"Cheguei no estádio por volta das 6h30. Tinha muitos familiares e atletas. A torcida chegou, se mobilizou, cantou. A empolgação na cidade era uma coisa inexplicável (com a final da Sul-Americana). A alegria era enorme", relata o jogador.

"Moro bem próximo ao clube. Quero ficar em casa, não tenho coragem de sair na rua de novo", completa em entrevista ao Hoje em Dia.

Grande amigo entre as vítimas

Entre as vítimas fatais, estava o zagueiro Marcelo, ex-Flamengo e que tinha contrato com o time sulista até o próximo mês. Ele era um dos melhores amigos de Dodô.

"Íamos à igreja juntos, saíamos pra comer. Ele me dava vários conselhos. Ontem ele me desejava boa sorte, pois era o primeiro jogo da final do sub20 Estadual", conta o meia.

Marcelo tinha 25 anos e nasceu em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira. Quando contratado pelo rubro-negro carioca, em 2014, chegou a ser chamado de "Novo Dedé", fazendo referência ao zagueiro do Cruzeiro.

Assim como o defensor celeste, o zagueiro da Chapeconese teve importante passagem pelo Volta Redonda, clube do interior fluminense.

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Zagueiro Marcelo, com a bola nos pés, era um dos melhores amigos de Dodô, de costas