Além de mexer com a paixão de torcedores europeus, o duelo de quartas de final da Liga dos Campeões entre Paris Saint-Germain e Manchester City gera expectativa a parte no mundo árabe, principalmente em Doha e Abu Dhabi, de onde são oriundos os donos de ambos os clubes.

Nas redes sociais, o confronto ganhou vários apelidos, como 'Cashico', 'Golfico' ou 'Abu derby'. Uma maneira de enfatizar o fato dos dois times terem chegado a outro patamar desde que foram comprados por fundos de investimentos que investiram milhões de petrodólares na contratação de craques.

"É como ver se minha BMW vai ter um desempenho melhor que a Mercedes do vizinho", ironiza Mohammed Al-Jazali, torcedor catariano do PSG. "O projeto do Catar é mais importante e vai ajudar o país a divulgar sua imagem de forma mais eficiente no âmbito da Copa do Mundo de 2022", argumenta.

Chris Newbould, torcedor do City que mora nos Emirados Árabe Unidos prefere destacar o forte investimento em infraestrutura do xeque Mansur de Abu Dhabi em Manchester.

"O trabalho foi feito de forma diferente do que aconteceu com os catarianos. Eles revitalizaram Manchester e a academia onde treinam as categorias de base é sem dúvidas a melhor do mundo. Eles investem no logo prazo, não pode se dizer o mesmo do Catar e do PSG", defende o britânico.

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Tensões diplomáticas

A rivalidade também existe fora dos campos de futebol. Catar e Abu Dhabi não têm tido as melhores relações diplomáticas, apesar do clima ter ficado mais ameno há um ano.

"As relações melhoraram de forma significativa desde março 2014", observa Kristian Coates Ulrichsen, ex-membro do Instituto Baker, especializado em pesquisas sobre o Oriente Médio.

Março 2014 foi marcado pelo incidente em que os Emirados Árabes Unidos retiraram seu embaixador no Catar depois do apoio de Doha à Irmandade Muçulmana no Egito depois da primavera Árabe.

"O Emir Tamim (do Catar) visitou várias vezes os Emirados Árabes Unidos e contribuiu para a melhora das relações entre os dois países, que haviam chegado a um ponto de tensão extrema durante o reino de seu pai e imediatamente depois da Primavera Árabe", explica o pesquisador.

Mesmo assim, Ulrichsen ressalta que "não existe nenhuma confiança entre os dois países, apenas um interesse compartilhado de integrar uma aliança com os Estados Unidos".

Desde que o fundo de investimento ADUG (Abu Dhabi United Group), propriedade do xeque Mansour bin Zayed al-Nahyana, adquiriu o Manchester City, em 2008, o clube dobrou seu número de títulos nacionais, ao se sagrar campeão da Premier League e 2012 e 2014, depois de 1937 e 2014.

Já o PSG foi comprado em 2012 pelo fundo QSI (Qatar Sports Investments), do emir Tamim Ben Hamad al Thani. Três semanas depois de garantir o tetracampeonato na Ligue 1, o time parisiense disputa as quartas de final da Champions pela quarta vez seguida.