A primeira entrevista coletiva de Marcelo Moreno após o retorno do atacante ao Cruzeiro chamou a atenção não só pela camisa pintada no corpo do jogador, mas, também, pela forma como o jogador falou de sua volta à Toca II.

Ansioso pela reestreia, o centroavante já se colocou à disposição do técnico Adilson Batista, que está com a delegação azul em Tombos, pois nesta quinta-feira o Cruzeiro enfrenta o Tombense, às 19h15, em jogo adiado da segunda rodada do Campeonato Mineiro por causa das fortes chuvas em Minas Gerais. 

“A gente faz muita loucura pelo time que a gente gosta, que a gente torce. Isso (pintura no corpo) foi feito para todos os torcedores do Cruzeiro. Estou muito feliz de estar aqui, agradeço muito ao Cruzeiro por ter confiado no meu trabalho. Estou à disposição do nosso treinador. Se quiser que eu comece a treinar amanhã, estou à disposição”, disse.

Para ter condição de jogo o nome de Moreno precisa ser publicado no Boletim Informativo Diário (BID) da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A expectativa é que a regularização do jogador aconteça nos próximos dias. Dessa forma o jogador, que vestirá a camisa 9 da Raposa, pelo menos na parte burocrática já teria condições de atuar contra o Uberlândia, no dia 1º de março, às 16h, no Mineirão, diante da torcida cruzeirense. 

Marcelo Moreno não quer ficar fora de um jogo importantíssimo: o primeiro clássico com o arquirrival Atlético, também no Mineirão, mas com mando de campo do time alvinegro no dia 7 de março. Apesar da vontade, o jogador preferiu adotar a cautela e não garantiu estar em campo contra o adversário preto e branco. 

"Vamos deixar as coisas acontecerem. Mas vou me preparar bem para estar no clássico. Tomara que chegue logo, pois é bom demais jogar este clássico, ganhar um jogo tão especial”, comentou. 

Artilharia estrangeira

Ao sair do clube em 2015, Moreno viu um recordo que pertencia a ele ser derrubado pelo uruguaio Giorgian Arrascaeta, que assumiu o posto de artilheiro estrangeiro do Cruzeiro.

Em sua volta o atacante prometeu recuperar a condição de artilheiro grindo do clube estrelado. “Com certeza (recuperar o posto de artilheiro estrangeiro). Sem dúvidas eu vou recuperar esse momento tão especial para mim, como jogador. São números importantes, que te marcam dentro do clube. Eu quero fazer história aqui. Eu vim para isso. Ganhar mais títulos, atingir marcas individuais e essa é uma delas, porque estou bem próximo”, projetou.

Marcelo Moreno ostentou por mais de três anos esse recorde, superado em 2018 por Arrascaeta, que chegou a 50 gols em 188 partidas pela equipe. O centroavante, em 93 jogos, tem 45 gols, e com mais seis utrapassaria novamente o uruguaio.

Acompanhe outras partes da entrevista de Marcelo Moreno

Retorno ao clube em outra situação, a de time rebaixado e em crise financeira

Independente do momento do time, todos os jogadores acreditam que isso vai mudar. Quando conversei com a diretoria, falamos de uma reconstrução que o torcedor também abraçou. Pra mim não é diferente. Eu gosto daqui. Abri mão de muita coisa porque acredito que vamos levar o Cruzeiro para onde nunca deveria ter saído”, coloca o novo reforço celeste. 

Reencontro com Adilson Batista

Tenho ótimas lembranças de trabalhar com o Adilson. Foi com ele que eu deslanchei no Cruzeiro e espero que a gente possa fazer muitos gols com ele no comando. Ele foi um dos treinadores que fez questão de eu estar aqui. Ele confia em mim e eu também confio muito nele. Eu vim para contribuir com o Cruzeiro. 

Volta à Toca II

Eu sempre tive a ideia de voltar para o Cruzeiro. Eu sempre estava esperando esse momento. Esse momento chegou e, como falei para a torcida: nem no meu melhor sonho eu esperava ser recebido desse jeito. E estou aqui. Estou aqui por causa de muitas emoções que sinto pelo Cruzeiro. Meus melhores números foram aqui. Estou louco para entrar em campo e dar alegria aos torcedores, porque eles merecem. Por isso que voltei. 

Voltou por causa do coronavírus na China?

O coronavirus não foi determinante na minha volta.

Cruzeiro é sua casa?

Eu sempre deixei claro que eu gosto muito daqui. Que sempre quis ficar aqui. Todo mundo sabe. Foi determinante para eu voltar esse sentimento que tenho pelo Cruzeiro. O projeto que a diretoria apresentou foi espetacular. Esse momento chegou e, realmente, espero que a gente possa contribuir dentro de campo. Sou mais uma peça que chegou para somar. Assumo toda responsabilidade pela experiência que tenho, porque também pode ser importante para ajudar os meninos dentro e fora de campo.

Treinamentos e estreia

Já estou à disposição. Espero que eu possa deixar tudo em campo sempre. Essa camiseta sempre esteve comigo. 

Conversou com Dedé e pediu para o zagueiro ficar?

Eu não gostei muito. É uma coisa particular. São coisas que acontecem nesse momento, nessa mídia que a gente tem. Essas coisas de contratações, jogador sempre fica de um lado, o que for dentro de campo a gente pode falar. Dedé é um craque. Todo mundo sabe disso. Gosto muito dele como jogador, como pessoa, mas quem decide aqui é a diretoria. É o momento de eles definirem quem quer ficar e quem quer ir embora. Aqui no Cruzeiro, tem que ficar quem quer vestir a camiseta, com amor. A diretoria sabe disso. Tem que correr atrás de jogadores que querem jogar no clube. Assim que vamos reconstruir. Espero que as decisões possam ser as melhores.

Acessos na China

Subi todas. Subi os dois (clubes chineses). E não vai ser diferente aqui. Estou aqui para isso também. Acredito que sou uma peça que pode ajudar pela experiência que tem. Vamos ver o que acontece nessa temporada, à disposição do nosso treinador. Tomara que as coisas possam sair bem.

Morte da torcedora Salomé

Eu me lembro que fiz uma surpresa para ela, minha camiseta. São lembranças que ficam. Ela vai ficar para sempre na lembrança de todo mundo. São torcedores assim que precisamos, como ela. Que acreditem no Cruzeiro, com essa paixão que ela sempre teve. Acredito que ela vai inspirar. Ela é uma querida de todo mundo.

Pintura artística da camisa no corpo

Demorou duas horas e meia (para se fazer a pintura). Para fazer a alegria do torcedor. Esse momento difícil do Cruzeiro eu estava na China, mas a gente vai sair. Eu acredito nessa reconstrução que o Cruzeiro está propondo. Mas sem o apoio do torcedor, não vamos conseguir chegar.