No fim de outubro de 2021, o zagueiro Junior Alonso resumia qual deveria ser o comportamento do Atlético na reta final de temporada: “mente fria, coração quente”. Essa máxima se fez presente dentro das quatro linhas, mesmo com percalços que o time passou – como a eliminação na Libertadores – e dúvidas quanto ao trabalho do técnico Cuca, sobretudo do início da temporada ao meio do ano. As palavras entoadas pelo xerife paraguaio se tornaram quase sinônimo de dois outros termos que definem o Galo campeão brasileiro de 2021: equilíbrio e regularidade.
 
O equilíbrio se ilustra nos números dos setores ofensivo e defensivo do Atlético na Série A. Embora o campeonato ainda não tenha terminado, o Alvinegro é detentor da retaguarda menos vazada da competição, com 27 sofridos. E o ataque também vai muito bem, sendo o segundo mais positivo do torneio, com 60 bolas na rede.
 
Muito desse mérito se dá ao técnico Cuca, que soube aproveitar o que o argentino Jorge Sampaoli melhor deixou de “herança” e obteve êxito em aprimorar – e consertar – aquilo que era visto como deficiência dentro do elenco em 2020, sobretudo na defesa. Daí surgiu a regularidade que acompanha os campeões da Era dos Pontos Corridos.

Atlético 

Ninguém ficou tantas rodadas no topo da classificação (seja de forma seguida ou alternada) que o Galo. Já são 22 rodadas à frente de todos os outros 19 clubes participantes. Até o fim da competição, chegará a 24.
 
Quando tomou a liderança do Palmeiras, em 8 de agosto, ao bater o Juventude, de virada, por 2 a 1, no Alfredo Jaconi, o Atlético levaria para os gramados a lição de Cuca, de que “chegar à liderança é difícil, e se manter na liderança, mais difícil ainda”. E o Alvinegro conseguiu se manter na ponta.

Para quem vê uma campanha tão sólida, pode achar que acabou sendo “fácil”. Mas todos os resultados positivos alcançados vieram por meio um esforço quase sobre-humano de jogadores que, em vários momentos, foram rotulados de super-heróis e agora estão eternizados na galeria de campeões brasileiros.