O pedido de rescisão do contrato de 25 anos com a Minas Arena, com uma liminar protocolada ontem pelo Cruzeiro, como resposta à ação em que a empresa pede o bloqueio de contas do clube para quitação de uma dívida de cerca de R$ 9 milhões, pelo não pagamento de despesas dos jogos desde julho de 2013, é a prova de que o Mineirão, nos tempos de baixa técnica da Raposa e crise econômica, virou um Elefante branco.

O Hoje em Dia já tinha mostrado isso na edição do último dia 16. O Gigante da Pampulha, que foi aliado técnico e financeiro nas campanhas do bicampeonato brasileiro, em 2013 e 2014, se transformou, desde a metade do ano passado, num problema para o Cruzeiro, que deixou de lucrar no estádio.

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A média de renda bruta em 2013 e 2014 foi próxima de R$ 1,5 milhão. Este ano, ela é de cerca de R$ 300 mil. Isso se explica por dois fatores. O primeiro, a redução da média de público, que era de quase 30 mil pagantes por partida e agora é menos da metade.

E a queda aconteceu num período em que o ticket médio também despencou. Se tivesse honrando nesta temporada as despesas que são cobradas pela Minas Arena, o Cruzeiro estaria quase pagando para jogar em 2016.

BASTIDORES
Oficialmente, o Cruzeiro não fala em arrependimento. O discurso é de que o clube se sentiu “traído” pela Minas Arena quando a parceira recorreu à Justiça para cobrar a pendência relativa às despesas de jogos.

No pedido de liminar, as justificativas são diversas, como desrespeito à imagem do Cruzeiro, não pagamento de multas, ingressos vendidos pela Minas Arena mais barato que alguns oferecidos pelo clube e até a bagunça da partida de reabertura, em fevereiro de 2013, que rendeu centenas de ações.

Mas os números levantados pelo Hoje em Dia provam que o negócio ficou ruim. E com a crise econômica, o Cruzeiro se depara com um problema. Menos mal que o programa de sócios do clube é um sucesso e rentável. Em números de ontem, no site futebolmelhor.com.br, eram 75.095 associados.

No último sábado (21), no empate por 2 a 2, contra o Figueirense, o borderô do jogo mostra que apenas 9.626 pessoas passaram pelas roletas com cartões de sócios.

arte Mineirão