Uma imensa vantagem (3 a 0) construída no Mineirão, mas não só. Se ainda não dá para cravar a classificação às semifinais da Copa do Brasil, o torcedor celeste tem outro forte argumento para confiar no desfecho positivo do duelo com o Atlético, amanhã, no Independência: o retrospecto. Desde que voltou ao comando do Cruzeiro em 2016, Mano Menezes teve pela frente, na Copa do Brasil e em campeonatos internacionais (Libertadores e Sul-Americana), 17 mata-matas. E em apenas três deles a Raposa não foi adiante.

Mais do que isso, ao longo dessas 34 partidas, jamais a equipe do Barro Preto foi derrotada por mais de dois gols de diferença. Muitas vezes fazendo a diferença inclusive na casa do adversário. Quando a história é o 'famoso' jogo de 180 minutos, os comandados pelo treinador gaúcho mantêm números invejáveis, que ajudam a explicar os dois títulos da Copa do Brasil e a campanha na última Libertadores que parou apenas a um passo da decisão.

O Boca Juniors, em La Bombonera, aliás, foi um dos responsáveis pelo maior placar sofrido pelo Cruzeiro na segunda era Mano, num jogo que ficou marcado pela equivocada expulsão do zagueiro Dedé. A outra ocasião foi diante do Grêmio, de Renato Gaúcho, na semifinal da Copa do Brasil de 2016 (empate sem gols no jogo de volta, na arena do time de Porto Alegre).

Já na primeira rodada da Sul-Americana de 2017, diante do Nacional-PAR, os placares se repetiram no Mineirão e em Assunção: 2 a 1 para o mandante, o que levou a decisão para as cobranças de pênaltis. Uma das raras disputas em que Fábio não conseguiu fazer a diferença. A competição, aliás, é uma espécie de pesadelo quando se trata das participações celestes – foram seis, com a classificação às oitavas em 2005 como melhor resultado.

A única vez em que o Cruzeiro, nos últimos três anos, sofreu três gols numa partida, está longe de trazer lembranças ruins ao torcedor. Diante do Palmeiras, um adversário tradicional em mata-matas decisivos, Thiago Neves, Robinho e Alisson, em 30 minutos de jogo, abriram uma vantagem confortável na Allianz Arena, que não combinava com o poderio do Verdão. Tanto assim que, na segunda etapa, com uma atuação de gala de dois ex-jogadores celestes (Dudu e William Bigode), a equipe do técnico Cuca foi buscar o empate. Na época, no entanto, os gols fora de casa valiam como critério de desempate, e a nova igualdade no Mineirão classificou a Raposa para as semifinais da competição.

É bem verdade que, como se costuma dizer, os números não entram em campo. Neste caso, no entanto, mostram como quem entra (de azul) está mais do que acostumado a jogar pelo placar necessário, sem grandes sustos.

Respeito

Na retomada dos treinos ontem, depois do empate sem gols com o Botafogo pelo Campeonato Brasileiro, o zagueiro Léo descartou que o resultado da quinta-feira deixe o grupo excessivamente confiante para o segundo jogo da série contra o Galo.

Para ele, justamente pela experiência da grande maioria dos jogadores, a vivência nos gramados mostra que não há resultado impossível de ser revertido, o que justifica a seriedade e o respeito ao alvinegro.

“Tende a ser um jogo geralmente muito mais difícil, com várias questões, um jogo bem competitivo, principalmente por ser no Independência. A gente sabe que é um time de qualidade, de força também. Mas, esperamos manter o ritmo, foco e equilíbrio para conseguir nosso objetivo. Não tem nada resolvido. Sabemos que muitas coisas podem acontecer em uma partida de futebol. Nosso foco é sempre buscar a vitória e o objetivo é passar de fase”, destaca.