'São mais mensagens de apoio do que de ódio', diz Joanna Maranhão após denunciar ataques

Henrique André
Enviado especial
19/08/2016 às 00:02.
Atualizado em 15/11/2021 às 20:26
 (Satiro Sodré/CBDA)

(Satiro Sodré/CBDA)

RIO DE JANEIRO - As opiniões fortes sobre temas sociais e políticos aumentaram a legião de fãs da nadadora Joanna Maranhão. Por outro lado, também viraram um problema para a esportista de 29 anos. Eliminada nas fases preliminares das três provas para as quais havia se classificado na Olimpíada (200m borboleta, 200m medley e, a atleta pernambucana acabou ganhando as manchetes por ter sofrido ataques nas redes sociais, devidamente denunciados à Polícia Civil.

Em entrevista exclusiva ao Hoje em Dia no Parque Olímpico, Joanna falou sobre a performance esportiva nos Jogos Rio 2016, as mensagens recebidas pela internet, o relacionamento com o noivo Luciano Corrêa (judoca do Minas Tênis Clube) e os planos para o futuro.

Você foi eliminada ainda nas fases eliminatórias. Como encarou os resultados?

Quando a gente resolve competir, tem que estar preparado para se classificar ou não, para ganhar ou perder. É óbvio que eu gostaria de ter passado para as semifinais, esse era o meu objetivo. Mas, antes de querer alguma coisa, a gente tem que estar psicologicamente preparado para segurar a onda se não acontecer.

Assim como a Rafaela Silva, medalhista de ouro no judô, você foi vítima das redes sociais. Essa cultura de se julgar os atletas por resultados imediatos, na maioria das vezes com preconceito, atrapalha o esporte? Como se sente?

Normalmente ninguém gosta de ser xingado ou agredido. Tem que se tentar entender o contexto. No meu caso, é muito mais por posicionamento político do que pela minha performance em si. A minha performance técnica é boa, mas precisaria ser absolutamente perfeita. Mas acho que, mesmo assim, essas pessoas continuariam xingando e têm esse discurso do ódio. É uma prática que está se tornando normal, pois a pessoa está atrás de um computador e acha que tem o direito de agredir. Eu não fui a primeira e nem serei a última. É lógico que eu não gosto, mas vou tentar tirar alguma coisa boa de tudo isso. Eu estou recebendo muito carinho. São muito mais mensagens de apoio do que de ódio. Mas as de ódio constituíram crime, e é por isso que estou tomando as medidas judiciais cabíveis. O dinheiro que for arrecadado com isso será revertido para minha ONG e para mostrar para essas pessoas que existe, sim, lei na internet.

Você criou a ONG para ajudar crianças vítimas de violência. E seu noivo, Luciano Corrêa, também tem um projeto social de judô em Belo Horizonte. É uma forma de serem um espelho para as novas gerações? As iniciativas têm dado frutos?

Nós temos consciência de que o esporte deu muita coisa para a gente. Deu praticamente tudo. Então tem como a gente retribuir, além de ser atleta, de ser disciplinado e de representar nossos respectivos clubes e nosso país. Acho que esta é a nossa motivação, faz com que a gente queira fazer este papel e de se sentir útil ao mundo e fazer a diferença.

Disputar uma Olimpíada em casa gera uma pressão muito grande nos atletas? É preciso um trabalho psicológico para competir sendo anfitrião? Há um desequilíbrio que pode estar atrapalhando o sucesso do Brasil em algumas modalidades?

Eu não posso falar por outros atletas. No meu caso, a pressão que eu exerço sobre mim, de ser perfeita, é maior do que qualquer pressão externa. Eu trabalhei e venho trabalhando isso com minha psicóloga, e a gente vê progresso a cada vez que subo no bloco para competir. A sensação sempre é de felicidade e plenitude. No meu caso, o fator casa só me motivou. Foi maravilhoso e divertidíssimo ver as pessoas batendo palmas e torcendo por nós, atletas brasileiros. A energia é uma coisa indescritível.

Você está com 29 anos. Poderemos te ver no Japão, em 2020? Sonha com uma resposta, assim como fez a Rafaela Silva após o drama vivido em Londres (2012)?

Caso eu decida continuar, não vai ser para dar resposta nenhuma a ninguém. E, sim, para continuar vivendo esta coisa tão maravilhosa que é tudo que o esporte me dá e o que eu posso dar de volta. Ainda não tomei esta decisão, mas posso dizer que ainda me sinto muito jovem e rápida. Sei que posso tirar mais coisas da natação. Até dezembro, tenho contrato com meu clube, e até lá eu permaneço na mesma pegada de treinos e competições.

Seu noivo, o Luciano, veio ao Parque Olímpico para te acompanhar de perto. Qual é a importância dele na sua vida como esportista? E na vida pessoal?

Luciano é uma bênção na minha vida. Nosso encontro foi uma coisa muito importante, veio para melhorar a vida dos dois. Crescemos juntos como atletas, pessoas, filhos, e como os pais que seremos daqui a um tempo. A gente vive um relacionamento à distância há três anos, pela questão esportiva, mas a gente permanece muito unido. Sempre que podemos estamos juntos. É muito gratificante tê-lo. Gostaria que ele estivesse competindo também, mas o bom é que está aqui torcendo por todos os brasileiros.

Por fim, o que você está achando da Olimpíada no Brasil? Tanto na estrutura oferecida, quanto no nível técnico?

A estrutura é boa. Não vi problema nenhum, e nem tive problemas como os australianos tiveram (na chegada aos apartamentos da Vila Olímpica). Para mim, os Jogos foram ótimos. Era tudo o que eu esperava do Brasil, e acho que estamos mostrando um trabalho muito bom.Satiro Sodré/CBDA

CASO DE POLÍCIA - Joanna denunciou ofensas sofridas por meio das redes sociais

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