Os últimos dias têm sido uma mistura de alívio e alegria para o São Paulo, que conseguiu abrir cinco pontos de distância da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro e pela primeira vez em muito tempo consegue se livrar do sufoco de pensar apenas na briga pelas últimas posições. Neste domingo contra o Bahia, às 16 horas, na Arena Fonte Nova, em Salvador, pela 30.ª rodada, o time tricolor inicia uma mini turnê longe do Morumbi - além do Bahia, pega o Internacional e ainda joga contra a Universidad Católica no meio da próxima semana pela Copa Sul-Americana - e confia no ressurgimento de Paulo Henrique Ganso para conquistar mais uma vitória e se afastar de vez do bloco dos ameaçados.

Quem vê o jogador mais seguro e participativo em campo quase esquece que no início do ano ele chegou a figurar como uma incógnita. O meia desembarcou no Morumbi em setembro do ano passado com uma lesão na coxa esquerda e jogou muito pouco para se recuperar adequadamente e entrar em 2013 zerado. Mas vieram os jogos e era Jadson quem brilhava. O ex-técnico Ney Franco tentou por diversas vezes encaixá-lo no esquema, mas a parceria com Jadson não rendia e ele seguia sendo preterido. O momento ruim afligia os dirigentes e até mesmo os gestores da sua carreira, que cobravam uma mudança de atitude.

O cenário começou a mudar na curta gestão de Paulo Autuori. Em seu primeiro treino, ele chamou o jogador para uma conversa reservada e cobrou mais competitividade. Aos poucos, entendeu o recado e finalmente se destacou na derrota para o Kashima Antlers pela Copa Suruga, em agosto. De lá para cá foi evoluindo gradualmente até a chegada de Muricy Ramalho, com quem já havia trabalhado no Santos. Ganhou mais liberdade e um esquema que o deu mais liberdade para encostar no ataque e centralizar as jogadas.

Para o treinador, o meia evoluiu também graças ao esquema tático montado. "Ele tem caras que sabem jogar ao lado dele, que sabem tratar a bola. É duro quando não tem com quem jogar", analisou Muricy Ramalho. A parte física também evoluiu e Paulo Henrique Ganso atingiu 55 jogos neste ano, marca superior ao seu melhor ano no Santos. "Ele não tem um físico mais frágil dos demais, mas acredito que precisará se cuidar mais que os outros até o fim da carreira pelas cirurgias que já fez, mas ele é muito profissional", emendou Zé Mário, preparador físico do clube.

Profissionalismo é a palavra mais usada para descrever o jogador. As pessoas com quem o Estado conversou foram unânimes ao descrevê-lo como um profissional dedicado. "Mesmo quando era reserva nunca reclamou e trabalhou firme. É um cara fora de série", elogiou o auxiliar Milton Cruz. Ganso também cativou os jogadores e se tornou uma das pessoas mais queridas do grupo. Mas cabe a Muricy Ramalho o alerta para que seu futebol continue sendo constante. "Ele está melhorando, mas já falei para ele que precisa de regularidade, não adianta só fazer um ou outro bom jogo".

Sem contar com Luis Fabiano e Antonio Carlos, lesionados, e Rodrigo Caio, suspensos, Paulo Henrique Ganso será mais uma vez a principal referência em campo. E no que depender da sua confiança, vem mais atuações de gala por aí. "Estou na melhor forma, pena que chegou um pouco tarde, poderia ter sido no começo do ano para que eu pudesse ajudar mais o São Paulo, mas prometo fazer o meu melhor agora".