O Cruzeiro só terá chance de evitar a aplicação da perda da pena de seis pontos na Série B do Campeonato Brasileiro, pelo não pagamento de cerca de R$ 5 milhões pelo empréstimo do volante Denílson, em 2016, caso o clube tenha o acordo de prorrogação do prazo assinado pela diretoria do Al-Whada, dos Emirados Árabes Unidos, com a data limite de 18 de maio, prazo final para a liquidação do débito. Quem garante é o advogado Breno Tannuri, que defende a Raposa em ações na Fifa há muito anos.

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O não pagamento pelo empréstimo de Denílson, ao Al-Whada, dos Emirados Árabes Unidos, deve provocar a perda de seis pontos pelo Cruzeiro na Série B do Campeonato Brasileiro

“O clube foi notificado há 90 dias, mas não sei como ficou, pois essas tratativas estavam sendo conduzidas pelo Kris Brettas. Ele é o chefe do jurídico e quem estava negociando com os árabes”, afirma Tannuri.

O advogado, que tem larga experiência na Fifa, afirma que a entidade é muito rigorosa com essas questões e quando existe a comunicação à federação do país do clube punido, evitar que a pena não seja aplicada é um processo complicado. Neste caso Denílson, por exemplo, ele reafirma que é fundamental o Cruzeiro ter um acordo já assinado com os árabes.

Segundo Tannuri, é importante agora que o Cruzeiro, caso não consiga evitar a aplicação da perda de seis pontos, faça o próximo pagamento estipulado, pois a segunda punição dificilmente deixaria de ser o rebaixamento à Série C.

Outro lado

O problema é que parece não haver ainda o acordo assinado entre Cruzeiro e Al-Whada. Carlos Ferreira, um dos integrantes do Núcleo Dirigente Transitório, disse à reportagem do Hoje em Dia o seguinte, via mensagem de WhatsApp.

“Não havia prorrogação ainda, havia sim negociações em andamento diretamente com eles. Fomos pegos de surpresa. Porém ainda não fomos notificados. Amanhã vamos tentar reverter isso”, garantiu o dirigente cruzeirense.

Em nota publicada em seu site oficial, o Cruzeiro apresenta a palavra de Sandro Gonzalez, que é o CEO do clube. Assim como Carlos Ferreira ele dá a certeza de que o clube ainda não tem o documento do acordo com o Al-Whada.

“Vínhamos tentando um adiamento para o segundo semestre, mas os dirigentes do Al-Whada foram taxativos. Eles disseram que o processo corre há mais de quatro anos na Fifa e ninguém do Cruzeiro, nenhum dirigente neste período todo, procurou o Al-Whada para buscar um acordo. Eles disseram que se sentiram frustrados e descrentes, e que por isso não poderiam facilitar nada para o Cruzeiro neste momento. Nós explicamos a eles que o clube também foi uma vítima de tudo o que aconteceu nos últimos anos, que agora são outras pessoas que estão à frente da instituição, e que temos a total intenção de resolver. Já tínhamos tratativas avançadas desde a semana passada, e vamos fazer de tudo para evitar qualquer tipo de punição ao Cruzeiro”, ressaltou Sandro.

Pelas palavras dos dois dirigentes cruzeirenses, dificilmente o departamento jurídico do Cruzeiro tem o documento de prorrogação do pagamento da dívida com os árabes com data até 18 de maio. E se isso for verdade, o clube iniciará a Série B do Brasileirão com seis pontos a menos.