João Havelange

Em 2000, Vasco, de Romário, bareu Cruzeiro, de Sorín, para decidir a João Havelange em janeiro do ano seguinte

Seis meses. E 38 rodadas do Campeonato Brasileiro; quatro fases da Copa do Brasil, além da reta final dos Estaduais e das competições internacionais (Libertadores e Sul-Americana). Fica claro     que, mesmo considerando a volta do futebol com jogos na base quarta/quinta-feira e sábado/domingo, o calendário da temporada vai entrar 2021 adentro, devido ao tempo de pausa provocado pela pandemia de Covid-19. Algo raro no país (que, diferentemente da Europa, adota o formato janeiro/dezembro, e não agosto/junho). Mas não inédito. Por motivos dos mais variados a bola atravessou o período das festas de fim de ano e consagrou campeões de forma tardia. Histórias que envolvem Atlético e Cruzeiro e, ao menos em âmbito nacional, não foram sinônimo de título, mas sempre de proximidade, ainda que com final não muito feliz.

Tudo começou com o Brasileirão de 1973. Com 40 clubes na Primeira Divisão e um formato de grupos com 656 jogos, a disputa, que se iniciou em 25 de agosto, só terminou em 13 de fevereiro de 1974. Atlético, América e Cruzeiro superaram a primeira fase, mas Galo e Coelho caíram na segunda, em que, de dois grupos de 10 times, apenas os dois melhores de cada avançavam ao quadrangular decisivo. Com o time comandado por Hilton Chaves que seria a base da conquista da Libertadores de 1976 (Nelinho, Piazza, Vanderlei, Zé Carlos e Palhinha), a Raposa conseguiu ficar entre os quatro melhores, ao lado de São Paulo, Internacional e Palmeiras. Sem jogos de ida e volta, venceu o tricolor paulista, mas foi superada pelo Inter, no Beira-Rio, e pelo alviverde, no Mineirão. A 'Academia', de Ademir da Guia, levaria o título, com o time estrelado em terceiro.

Tristes pênaltis

O campeonato de 1977 traz, para o torcedor atleticano que viveu a época, lembranças que dispensariam explicação e que ainda doem na alma. A competição teve início apenas em outubro, com 62 clubes divididos, inicialmente, em grupos regionais (os três mineiros e o Uberaba estavam no F, ao lado do Santos, de amazonenses e paraenses). Os cinco primeiros de cada chave avançavam para os 'grupos dos vencedores', com os demais brigando nos grupos de repescagem para chegar à terceira fase.

O Galo, do técnico Barbatana, entrou para a história por se manter invicto nos 21 jogos e, ainda assim, ficar apenas com o vice. O regulamento da CBD (hoje CBF) garantia apenas a vantagem do mando de campo para o time de melhor campanha. No Mineirão lotado, já em 25 de março, e sem Reinaldo, o tempo normal da decisão com o São Paulo terminou no 0 a 0. Nos pênaltis, as cobranças desperdiçadas de Toninho Cerezo, Márcio e Joãozinho Paulista deram a taça ao tricolor paulista.

João Havelange

Um salto de nove anos e o Brasileirão seria decidido quase no Carnaval. A competição de 1986 contou com 80 clubes, já que as três divisões de então foram unificadas. Depois de uma confusão judicial que transformou os 28 previstos na segunda fase em 36 (e levou à criação do Clube dos 13 e da Copa União, no ano seguinte), Atlético - vencedor dos grupos nas duas primeiras fases - e Cruzeiro se cruzaram nas quartas de final. Ao fim dos dois clássicos (0 a 0 e 1 a 1), vantagem alvinegra, rumo às semifinais. A boa campanha pararia, no entanto, no Guarani, de Campinas, já em fevereiro. Um time que contava com Evair, Boiadeiro e um 'certo' Tite (o hoje técnico da Seleção Brasileira), que mais tarde seria superado pelo São Paulo.

Na Copa João Havelange (o Brasileiro de 2000), apenas o segundo jogo da decisão acabou disputado no ano seguinte, devido a uma tragédia no que seria o jogo de volta da série entre Vasco e São Caetano, em, 30 de dezembro. Parte do alambrado das arquibancadas de São Januário caiu e cerca de 150 pessoas se feriram. Finalmente o restante da partida aconteceu em 18 de janeiro, desta vez no Maracanã, com vitória e título do cruz-maltino carioca. O Vasco havia superado o Cruzeiro nas semifinais - empate por 2 gols no Rio e 3 a 1 no Mineirão. Num formato bastante complexo que incluiu 116 times das três divisões, América e Atlético não passaram da primeira fase do Módulo Azul (Séries A e B) e terminaram o campeonato, respectivamente, em 23º e 24º.