“Conhecer-se é dominar-se, e dominar-se é triunfar”. Talvez este seja o princípio – ensinado no Judô – que melhor defina o perfil do técnico Márcio Pereira, que precisou de apenas duas partidas para evitar o rebaixamento do Democrata-GV ao Módulo II do Campeonato Mineiro.

Praticante da modalidade marcial quando tinha apenas sete anos, o “salvador” da Pantera, hoje aos 55, deixou o medo de fracassar de lado e aceitou o desafio de comandá-la.

"O sentimento é de dever cumprido e a sensação é de ter sido campeão”, comenta Pereira. “Foi uma coisa sobrenatural. Milagre não se explica, a gente só agradece a Deus”, acrescenta o comandante.

Contudo, mesmo com a missão cumprida e curtindo dias de herói no Vale do Rio Doce, Pereira tem mais uma luta pela frente: como o Democrata não disputará nenhuma outra competição ao longo do ano, ele ficará desempregado após o duelo deste domingo (9) contra o Cruzeiro.

Goleiro do Atlético na década de 1980, e com passagens por Fluminense, pela própria Raposa e pelo Coritiba, o herói do time de Valadares não se abate com a situação.

Responsável por tocar um projeto social em Lagoa Santa, o Futebol Inteligente, ele fica tranquilo ao saber que continuará servindo de exemplo a centenas de jovens.

"Ensino os meninos sem cobrar nada. Ano passado foram mais ou menos 400 alunos”, conta o professor. “Em média são 70 alunos a cada treino. Estamos tirando alguns deles da criminalidade”, conclui.

Boa referência

Apresentado em 15 de março pela diretoria da Pantera, o técnico assumiu a equipe após o pedido de demissão do antecessor, Eugênio Souza, que não resistira à pressão da torcida.

Curiosamente, com apenas dois jogos no comando do Democrata, Pereira conseguiu o dobro de vitórias de Souza, que comandou o time alvinegro nos oito anteriores.

Na estreia, na 9ª rodada, veio a inesperada vitória sobre a Caldense, por 3 a 1, em Poços de Caldas. Pressionado pelo risco de entrar na zona do rebaixamento, o time parece ter assimilado a filosofia do novo comandante.

No jogo seguinte, atuando em casa, a vítima foi o América-TO. A vitória, por 1 a 0, garantiu a permanência na elite e selou a queda do adversário.

Problemas na despedida
Para não fugir da tradicional dificuldade, Pereira não terá moleza nem na própria despedida. Para o duelo contra o Cruzeiro, ele terá que improvisar em vários setores.“Tenho apenas um zagueiro à disposição. São vários suspensos e lesionados”, relata.

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