Nada de selfies, autógrafos ou tietagem. Nenhum torcedor esperava por eles, nessa terça-feira (26), na área de desembarque do Aeroporto de Confins. “Quem são esses caras aí?”, perguntou um passageiro assim que o primeiro atleta uniformizado apareceu no saguão, às 10h.

Mas os “anônimos” não se chatearam com a falta de badalação. Ao contrário: prometeram tentar surpreender a milhares de torcedores no Mineirão nesta quarta-feira (27), às 19h30, quando vão encarar o Cruzeiro, maior campeão da Copa do Brasil, no duelo de ida pelas oitavas de final do torneio.

O modesto Santa Rita (AL) sequer disputa uma divisão do futebol nacional. Porém, tornou-se a sensação da competição ao eliminar Guarani, Potiguar de Mossoró e Santa Cruz. O próprio elenco admite que foi longe demais, motivo extra para deixar uma boa impressão na Pampulha.

“O Cruzeiro vive um grande momento, líder do Brasileirão. Mas a responsabilidade é toda deles. Agora é atuar com vontade e levar um bom resultado para o Nordeste”, avisa Reinaldo Alagoano, “estrela” da turma.

O atacante defendeu a Raposa em 2008 e tem bons amigos na Toca II. “Quero dar um abraço no Fábio e no Henrique e colocar o papo em dia. Também estive ao lado do Lucas (Silva) no Nacional de Nova Serrana”, revela.

Portanto, ninguém melhor do que o rodado atleta de 28 anos para apresentar o desconhecido Santa Rita. “O clube é de Boca da Mata, uma cidadezinha do interior de Alagoas, de 30 mil habitantes (a 70 km de Maceió). A estrutura é pequena, nosso estádio nem tem iluminação, mas a diretoria procura trazer boas peças e formar equipes competitivas”, garante.

Jogo da vida

A viagem rumo a Belo Horizonte começou às 3h da manhã. Mas nem o cansaço tirou a empolgação do Leão alagoano. Para a maioria do jogadores, o duelo com o Cruzeiro será o “jogo da vida”, ainda mais por ser no Mineirão, palco da Copa do Mundo.

É o caso do lateral Jeanderson, 23. “Quero conhecer o Dedé e trocar camisa com ele. Minha irmã é muito fã dele. Tive a oportunidade de vê-lo atuar uma vez e será um prazer enfrentá-lo aqui em Minas”, comemora.

O zagueiro Adriano, por sua vez, já se sente em casa ao desembarcar em Confins. Natural de Ponte Nova, ele vestiu a camisa do Atlético entre 2004 e 2005. “É especial retornar e enfrentar o Cruzeiro. Sou atleticano, minha família torce pelo Galo. Será um duelo bom de jogar no Mineirão. Muito bacana, apesar de estarmos ciente das dificuldades. Fizemos história com o Santa Rita e todos estão em uma atmosfera muito legal”, comenta.
 
"Vivemos outra realidade"
 
O Santa Rita se fundiu com o Corinthians de Alagoas no fim de 2013. Assim, conquistou a vaga na Copa do Brasil. A folha salarial do clube é modesta: cerca de R$ 100 mil. “Imagina quanto custa apenas um Dagoberto, um Júlio Baptista ou um Ricardo Goulart. O Cruzeiro tem outra realidade”, compara João Feijó, dirigente do Leão.

A equipe não disputa um jogo oficial desde que eliminou o Santa Cruz (PE) do torneio, em 14 de agosto. Mesmo sem estrutura, o clube recebe elogios do experiente zagueiro Adriano, que já defendeu o Atlético. “Na medida do possível, as coisas estão melhorando lá. O time enfrenta todas as dificuldades que os pequenos encaram, mas estamos nos superando”, destaca.