A sede da Máfia Azul, principal torcida organizada do Cruzeiro, foi vasculhada por policiais civis que investigam irregularidades no time estrelado. Apesar dos responsáveis pela investigação da Polícia Civil (PC) não terem falado com a imprensa sobre a operação "Primeiro Tempo", deflagrada nesta terça-feira (9), a suspeita é de que a organizada recebia recursos ilegais por parte de membros da diretoria do clube celeste. 

Nesta manhã, depois de fazer buscas na sede administrativa do Cruzeiro, no Barro Preto, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, os agentes foram até a Máfia Azul para cumprir mandados de busca e apreensão expedidos pela justiça mineira.

O galpão da organizada foi revirado pelos agentes, que encontraram uma mochila escondida no meio de um quadro repleto de trofeus. Cerca de uma hora após as buscas, os policiais deixaram o local levando computadores e papéis. 

Integrantes da Máfia Azul estavam no galpão e acompanharam as buscas. Eles também deixaram o local logo depois da saída dos agentes. A reportagem do Hoje em Dia tentou contato por telefone com dirigentes da Máfia Azul, mas nenhum dos representantes atenderam as ligações.

A assessoria da PC informou, por meio de uma nota, que o Departamento Estadual de Investigação de Fraudes (DEF) cumpriu 16 mandados de busca e apreensão, tanto em instalações do Cruzeiro quanto em residências e empresas de pessoas ligadas ao clube. "Encontra-se em tramitação no DEF um Inquérito Policial que visa apurar a prática de crimes, em tese, cometidos por dirigentes do Cruzeiro, havendo notícia da prática de falsificação de documentos, apropriação indébita e outros delitos, sendo que a operação “PRIMEIRO TEMPO” pretende reunir nos autos mais elementos necessários à investigação policial", disse. 

Ainda conforme a polícia, durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão foram apreendidos  diversos documentos, computadores, celulares e outros equipamentos de interesse para a investigação. "Participaram da operação aproximadamente 100 policiais civis, dentre delegados, investigadores, escrivães e peritos, além de terem sido utilizadas cerca 30 viaturas policiais", completa a PC. Ainda de acordo com a corporação, "não há previsão para o fim da investigação".

Buscas

Além da Máfia Azul e da sede administrativa do Cruzeiro, a polícia também fez buscas na Toca da Raposa e na Toquinha, ambas na Pampulha, onde também cumpriram ordens judiciais. 

As residências dos dirigentes do clube: presidente Wagner Pires de Sá, Itair Machado, vice-presidente de futebol do clube, e Sérgio Nonato, diretor-geral do Cruzeiro, também foram alvos da operação. Empresários de atletas da categoria de base também entraram na mira da corporação. 

O delegado responsável pelo inquérito, Domiciano Monteiro, chefe da Divisão de Investigação de Fraudes e Crimes contra a Administração Pública, não comentou o caso. Segundo a Polícia Civil, o investigador só vai falar ao fim da investigação, que corre em segredo de justiça. 

O Cruzeiro declarou, por nota, que apoia as investigações, mas lamenta que a operação tenha sido deflagrada às vésperas de um clássico decisivo. “O Clube informa que entregou às autoridades toda a documentação solicitada para a investigação”, disse.

Entenda o caso

Membros da atual diretoria do Cruzeiro estão sendo investigados pela Polícia Civil por supostas irregularidades noticiadas pelo "Fantástico", programa dominical da TV Globo, no dia 26 de maio. A atração teve acesso a planilhas, notas fiscais e contratos que apontaram, segundo os repórteres Gabriela Moreira e Rodrigo Capelo, supostas falhas dos dirigentes da Raposa, como falsificação de documentos, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. 

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