Caberá ao governo federal resolver os impasses que ainda restam para dar seguimento à novela em que se transformou a Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte. Apenas um dos três pontos de divergência foi resolvido nesta quarta-feira (10) em reunião de representantes do governo com membros do Bom Senso FC.

E não porque tenha se chegado a um consenso, mas porque as partes envolvidas resolveram retirá-lo do texto conjunto que será apresentado ao deputado Vicente Cândido (PT-SP), autor da emenda substitutiva ao projeto de lei que trata do pagamento da dívida dos clubes com a União. Trata-se da revisão dos valores estabelecidos pela Lei Pelé para multas rescisórias de contratos.

Outra questão que deve ficar de fora por falta de consenso é a proposta do Bom Senso FC que exige mais transparência e democracia na CBF. Os demais pontos - o parcelamento da dívida e a redução da idade para contratação de jogadores de 16 para oito anos - serão analisados pelo governo. A Casa Civil vai redigir o texto que será enviado para aprovação de cartolas e representantes do Bom Senso FC.

A principal polêmica discutida esta semana e ainda sem solução é a proposta de refinanciamento da dívida dos clubes em 240 meses, com um pagamento inicial de 10% do valor. Os clubes alegam não ter condições de pagar esse porcentual imediato e defendem o parcelamento de toda a dívida.

Caso o texto do governo seja aprovado por dirigentes e atletas, será entregue a Vicente Cândido, que pode acatá-lo ou não. Os representantes dos clubes pressionam o governo para que o texto seja logo apresentado para que a emenda seja apresentada e votada ainda neste ano. Já os atletas acreditam que a votação ficará para 2015.

Esta foi a segunda reunião entre dirigentes, Bom Senso FC, governo e deputados somente nesta semana para discutir o projeto relatado pelo deputado Otávio Leite (PSDB-RJ) que se arrasta desde 2013. Não há previsão de um novo encontro.

Na terça, três pontos de divergência foram pacificados. O Bom Senso FC abriu mão da limitação de gastos com futebol profissional em 70%. Também ficou acordado que a punição para os clubes que não honrarem pagamentos será gradual, começando com um alerta e chegando ao rebaixamento do time. Por fim, estabeleceu-se que o Comitê de Acompanhamento da CBF será composto por um atleta, um treinador, um representante dos clubes, um da CBF e outro do CFC (Conselho Federal de Contabilidade).