Depois de viver em 2014 o pior período de seca dos últimos 83 anos, o setor energético iniciou o ano de 2015 em alerta. Com o nível dos reservatórios muito abaixo do que é comum para o período, especialistas afirmam que as chuvas do primeiro quadrimestre precisam extrapolar as previsões para que a situação volte ao normal. 
 
Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apontam que o nível de energia armazenada nos reservatórios da região Sudeste e Centro-Oeste é de 19,45%. Menos da metade do nível medido no mesmo período do ano anterior, que era de 43,18%.
 
De acordo com o diretor-geral do ONS, Hermes Chipp, com um nível de 33% até o mês de abril os reservatórios poderiam passar pelo período de estiagem durante o ano e chegar a novembro com 10% de sua capacidade. O total seria o bastante para garantir o abastecimento de energia até o fim do ano. 
 
Ainda assim, a situação é bastante desconfortável. O diretor do Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético (Ilumina), José Antônio Feijó, relembra que mais de um terço do período chuvoso já passou e, por isso, há poucas chances de que haja elevação significativa no nível dos reservatórios até abril. 
 
“Se o cenário fosse o mesmo de 2001, já estaríamos em racionamento. O lado bom é que as térmicas já geram perto de 20% do total de energia necessária para o país. Somado a elas, há cerca de 3% vindo das usinas nucleares e mais 3% das eólicas. Não haverá racionamento em 2015, mas se não chover mais do que no ano passado, a situação energética de 2016 pode ser extremamente crítica”, alerta.
 
O retorno das chuvas é a maior expectativa do setor energético, já que as termelétricas estão se tornando cada vez mais sobrecarregadas, afirma o especialista em Economia da Energia e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nivalde José de Castro. Além disso, a energia térmica é mais cara e onera as contas de luz. “Entramos no período úmido com os reservatórios realmente baixos. Mas não há como garantir, nesse momento, se haverá ou não necessidade de racionamento. Esperamos que até o fim de abril as chuvas cheguem e mudem esse cenário”, diz Castro.