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Falta de dinheiro, problema que o Cruzeiro tenta resolver de forma desesperada e que já levou do clube seis pontos antes mesmo da Série B do Campeonato Brasileiro de 2020 começar. Não bastasse essa "pancada" pela dívida na Fifa com o Al-Whada há mais complicações que precisam ser resolvidas: salários e outras obrigações trabalhistas que o clube não paga aos seus funcionários.

O Hoje em Dia foi procurado por pessoas que trabalham em diversas áreas do Cruzeiro e a pergunta desses funcionários foi quase uníssona: "Onde está nosso pagamento? Ninguém fala nada para nós". 

De acordo com informações recebidas pela reportagem o Cruzeiro não pagou aos funcionários parte de salários e férias. Uma fonte chegou a informar ao HD que recebeu algo em torno de "R$ 700 e que esse valor, segundo o gestor da área, era o pagamento da metade do mês de março trabalhado e 50% das férias".

"Prometeram que no 5ª dia útil de maio cairia o restante das férias e os dias trabalhados (em março ainda). Não tem previsão de pagamento, isso é a única coisa que falam. Já tem gente passando dificuldade. Faça um apelo à presidência do clube, precisamos de apoio", disse uma fonte.

Outra pessoa a procurar o Hoje em Dia relatou estar "de mãos e pés atados" e que faltam informações precisas até quando buscam os responsáveis pelos recursos humanos do clube.

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"Ninguém fala nada realmente. Está difícil. É complicado por que as contas não param de chegar. Quando entrou essa pandemia eles deram férias para nós, mas pagar, até agora nada", reclamou.

Os problemas relatados acontecem nas sedes do clube, Barro Preto, Pampulha (Campestre) e Administrativa, entre os funcionários dos serviços gerais, do administrativo e também nas categorias de base.

Outra fonte que pediu sigilo contou que não recebeu valor equivalente a meio mês trabalhado em março e nem o pagamento das férias de abril. 
Aqueles funcionários que não tiraram férias em abril também estão com os salários atrasados. 

Posicionamento do Cruzeiro

A reportagem procurou a assessoria de imprensa do Cruzeiro para tratar do assunto. O Hoje em Dia questionou qual a prioridade do clube em relação aos pagamentos nesse momento de crise. Até a publicação da reportagem não recebemos respostas, mas o espaço está aberto para justificativas oficiais da Raposa. (No horário de 17h10 desta quarta-feira a assessoria do clube respondeu que a diretoria não respondeu aos questionamentos da reportagem). 

Após a movimentação de nossas apurações o presidente José Dalai Rocha, segundo informações passadas, enviou ofício aos funcionários prometendo pagamento de salário até o fim desta semana. 

Suspensão de contratos

O Hoje em Dia já havia noticiado no fim de abril sobre a suspensão de contratos de funcionários por 60 dias, tomando por base a Medida Provisória 936/20, do Governo Federal, que que autoriza a redução das jornadas de trabalho, reduções salariais e suspensão de contratos. 

Mais de 200 pessoas foram atingidas por essa medida, contando colaboradores das categorias de base, dos dois clubes sociais, o parque aquático do Barro Preto e a sede Campestre, na Pampulha, e na sede administrativa do Cruzeiro. 
Os salários do mês de maio serão pagos até o dia 25 agora, segundo previsão do próprio Cruzeiro quando do aviso da suspensão dos contratos. 30% será pago pelo clube e a maior parte pelo Governo Federal.