Era para o futebol mineiro ter começado a viver, nesse sábado (4) e domingo (5), o início da reta decisiva do Módulo I com a disputa das partidas de ida das semifinais da competição. No calendário original, a fase classificatória seria encerrada na última quarta-feira (1º), com os seis jogos no mesmo horário e a definição dos quatro clubes que seguiriam a luta pela taça e as duas equipes rebaixadas.

Mas o torneio está parado desde o último dia 15 de março, quando foi disputada a nona rodada da primeira fase. Neste momento, os jogadores, que deveriam estar concentrados ou já vivendo o primeiro duelo pelas semifinais, estão de férias. E este cenário acontece justamente num ano em que o título estadual significa muito para as equipes com mais chances de classificação às semifinais.

Líder da primeira fase até o momento, o América busca a primeira década, desde o deca entre 1916 e 1925, com dois títulos estaduais. Campeão em 2016, o Coelho tenta repetir a façanha em 2020.

Na segunda colocação, o Tombense sonha em passar a integrar o grupo de clubes do interior que já venceram a Primeira Divisão do Campeonato Mineiro. Desde 1915, essa façanha só foi alcançada por Villa Nova (Nova Lima), Siderúrgica (Sabará), Caldense (Poços de Caldas) e Ipatinga (Ipatinga).

A Veterana, campeã mineira em 2002, numa competição que não contou com América, Atlético, Cruzeiro e Mamoré, pois os quatro primeiros do Estadual de 2001 jogaram a Copa Sul-Minas no período da competição, tem um duplo objetivo.

O time anseia ganhar o Campeonato Mineiro num ano em que as forças da capital estão presentes, algo que escapou em 2015, quando foi vice, e além disso ser o primeiro clube do interior a vencer o torneio por duas vezes na Era Mineirão, iniciada em 1965.

Só duas equipes fora de Belo Horizonte já venceram a elite do Campeonato Mineiro por mais de uma vez. O Villa Nova, em 1932, 1933, 1934, 1935 e 1951; e o Siderúrgica, em 1937 e 1964. Após a inauguração do Gigante da Pampulha, as únicas festas do interior foram mesmo em 2002 e 2005, com Caldense e Ipatinga, respectivamente.

Atlético

Pressão

Entre todos os disputantes, nenhum entrou no Módulo I do Campeonato Mineiro tão pressionado pela obrigação de levantar a taça quanto o Atlético. Única equipe da Série A do Brasileirão no torneio, tem orçamento e qualidade técnica no elenco bem superior aos demais concorrentes.

Mas as coisas começaram difíceis para o Galo, que teve de fazer uma correção de rota no meio da competição. O treinador venezuelano Rafael Dudamel foi demitido para a contratação do argentino Jorge Sampaoli, que era o preferido da diretoria para o cargo no final do ano passado, mas que não tinha chegado a um acordo financeiro com o clube.

A troca ainda é uma incerteza, pois Sampaoli comandou o Atlético em apenas uma partida, os 3 a 1 sobre o Villa Nova, em 14 de março, no Castor Cifuentes, em Nova Lima, quando estreou no comando do alvinegro.

De toda forma, com sua chegada e da sua milionária comissão técnica, a pressão aumenta ainda mais. Ele tem ainda o suporte do diretor de futebol Alexandre Mattos, que assumiu no lugar do demitido Rui Costa.

Outro ponto de pressão sobre o Atlético é a questão política. Sérgio Sette Câmara vive o último ano do seu primeiro mandato à frente do clube e ainda não ganhou nenhum título oficial. Com o time já eliminado das Copas Sul-Americana e do Brasil, fracassos que foram decisivos para a queda de Rafael Dudamel, sobram como competições em 2020 o Campeonato Mineiro e a Série A do Brasileirão, onde a concorrência é muito grande, principalmente de clubes de grande investimento, como Flamengo e Palmeiras.

Assim, o Campeonato Mineiro aparece mesmo como a taça mais viável para Sette Câmara não encerrar seu primeiro mandato sem erguer pelo menos um troféu.

‘Milagre’

No caso do Cruzeiro, quinto colocado e com pequenas chances de chegar às semifinais, o título do Campeonato Mineiro significaria uma façanha que só o Vasco, entre todos os grandes clubes que já disputaram as Séries B ou C do Brasileirão, conseguiram: ganhar o Estadual no ano seguinte a um rebaixamento.

Com regras claras de descenso, o primeiro grande a cair foi o Grêmio, em 1991. E no Gauchão de 1992, a taça erguida pelo Internacional deu início a essa escrita, que não conseguiu ser superada por Fluminense (1998 e 1999, ano da Série C); Palmeiras (2003 e 2013), Botafogo (2003 e 2015); novamente o Grêmio (2005); Atlético (2006); e Corinthians (2008).

Depois de dois fracassos, em 2009 e 2014, o Vasco conseguiu, até pela insistência, já que é o clube que mais sofreu rebaixamento entre os 12 grandes do futebol brasileiro, vencer o Campeonato Carioca em 2016.

O Internacional foi a última vítima da maldição da Série B no Estadual, pois em 2017 até chegou à final do Campeonato Gaúcho, contra o Novo Hamburgo, mas acabou derrotado.

Para seguir com chance de conquistar o título mineiro, o que representaria um tricampeonato, o Cruzeiro precisa pensar praticamente apenas em superar a Caldense, sua adversária na última rodada, em Poços de Caldas.

Três pontos separam as duas equipes, com a Veterana tendo uma vitória e quatro gols a mais de saldo. A tarefa do time de Enderson Moreira não é fácil.