Senadora do Paraguai mantém declarações racistas sobre Mbappé, não pede desculpas e ameaça processo
Celeste Amarilla atribui falas à geração em que foi criada, diz estar em processo de mudança e volta a citar ação judicial contra o atacante francês

A senadora paraguaia Celeste Amarilla voltou a comentar, nesta terça-feira, a repercussão das declarações direcionadas ao atacante Kylian Mbappé após a eliminação do Paraguai para a França na Copa do Mundo. Durante entrevista coletiva, a parlamentar afirmou que as expressões racistas utilizadas refletem o ambiente em que foi criada, mas não apresentou um pedido de desculpas ao jogador e voltou a mencionar a possibilidade de processá-lo.
Ao justificar as publicações, Amarilla afirmou que pertence a uma geração em que ofensas contra pessoas negras e homossexuais eram tratadas com naturalidade. Segundo a senadora, esse comportamento faz parte de um padrão que ela busca abandonar. "Aquilo foi um desatino, é um padrão que eu detesto na realidade. É o que foi aprendido por uma pessoa de quase 62 anos, que viveu naquela sociedade em que se batia em gays, em que dizer 'negros de m*' era a coisa mais comum. Eu venho dessa geração terrível. [...] Estou me desconstruindo e construindo uma nova Celeste Amarilla. Tenham paciência comigo, estou fazendo isso com esforço", declarou.
Apesar da declaração, a parlamentar afirmou que retirar as publicações das redes sociais foi suficiente como forma de retratação. Ela também disse que não pretende pedir desculpas ao atacante francês e alegou que Mbappé também deveria se retratar. "Mbappé não me pediu desculpas, e também não tenho por que pedir", afirmou, ao sustentar que foi alvo de violência política e de gênero após a resposta do jogador.
Durante a entrevista, Amarilla voltou a ameaçar adotar medidas judiciais contra Mbappé e fez referência ao caso envolvendo Ronaldinho Gaúcho, que ficou preso no Paraguai em 2020 após entrar no país com documentos falsos. "Eu diria para ele tomar cuidado com os paraguaios. Não mexa com os paraguaios, Mbappé. Aqui nós já prendemos o Ronaldinho. E não me subestime. Eu posso processar você, contratar um advogado, e vão dizer que eu posso ganhar. Violência de gênero, violência política contra a mulher, isso sim é grave. E me peça desculpas, porque eu ainda tenho base para entrar com essa ação", disse.
Relembre o caso
A controvérsia começou após a derrota do Paraguai para a França, no último sábado, pelas quartas de final da Copa do Mundo. Em uma publicação na rede social X, Amarilla criticou Mbappé por ignorar um cumprimento do goleiro paraguaio Orlando Gill após o apito final e fez ataques à aparência e à origem do atacante.
Na mensagem, a senadora escreveu: "Esse bruto nem aprendeu a escrever. Em vez de leite materno, mamou em cocos, e os seres mais instruídos que ouviu foram chimpanzés. Você deveria ter mostrado o dedo do meio para ele, Orlando Gill. Eu faço isso no Senado e nada acontece. Um camaronês colonizado, fingindo ser francês, ressentido, novo-rico, arrogante e feio."
Na segunda-feira, Mbappé respondeu às declarações em sua conta na rede social X. O atacante afirmou que Amarilla não representa o Paraguai e disse que as publicações desviaram a atenção da campanha da seleção paraguaia na Copa do Mundo. "Madame Celeste Amarilla, você é uma senhora desprezível e indigna de sua função. Você não representa o Paraguai, um país que demonstrou paixão e honra ao longo de toda a competição. Por causa de sua irresponsabilidade e de seu racismo assumido, o mundo inteiro já esqueceu a campanha e o esforço histórico realizados pelos jogadores paraguaios nesta Copa do Mundo, para dar lugar à imagem de uma autoridade incompetente que projeta a pior imagem possível de seu país", publicou.
Após a repercussão, Celeste Amarilla apagou as mensagens dirigidas ao jogador francês. Em seguida, voltou à rede social para afirmar que poderá ingressar com uma ação judicial caso Mbappé não apresente um pedido de desculpas, alegando ter sido vítima de violência de gênero.
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