Longe dos holofotes dos esportes mais badalados do mundo, um brasileiro de 1,92m e 147kg brilha em uma modalidade ainda pouco conhecida do público brasileiro, mas que conta com a chancela de uma grande estrela mundial.

Catarinense de Florianópolis, Ricardo Nort é um dos principais nomes do país no Mas-Wrestling, esporte de origem viking, que consiste em uma disputa de dois atletas sentados um de frente para o outro, com os pés apoiados em uma placa especial. Eles tentam puxar um bastão de madeira e fazer com que o adversário passe para o seu lado.

A modalidade, de origem russa, faz parte do World Nomad Games, uma espécie de Olimpíada praticada pelos povos nômades, que conta com outras curiosas modalidades, entre elas luta livre a cavalo e falconismo.

No último campeonato mundial de Mas-Wrestling, disputado na Arábia Saudita, em março, Nort conquistou a sétima colocação, em uma disputa que contou com mais 40 competidores.

Benção de Schwarzenegger

Além da boa participação no Mundial da modalidade, Ricardo Nort traz no currículo o tricampeonato da Arnold Sports Festival South America, uma feira esportiva que tem como grande mentor o ator Arnold Schwarzenegger.

O último título do torneio, conquistado em abril, em São Paulo, contou com a presença da estrela de Hollywood na plateia.

Após a luta final, Schwarzenegger fez questão de cumprimentar o brasileiro, e elogiar o desempenho de Nort nas competições de Mas-Wrestling.

“O Arnold veio ver de perto a minha luta. Me aplaudiu e apertou minha mão no final. Me falou que eu era forte e gostava muito do nosso esporte. Para nós, que somos da área dos esportes de força e musculação, esse tipo de contato com ele é um grande presente”, completou Ricardo Nort.

Em conversa com o Hoje em Dia, o lutador contou detalhes da sua trajetória no esporte, citou os maiores desafios da modalidade, e revelou o sonho de representar o Brasil nos Jogos Olímpicos.

Ricardo Nort Mas-WrestlingRicardo Nort (primeiro à esquerda) recebe os cumprimentos do ator Arnold Schwarzenegger

Como você apresentaria o seu esporte para alguém que ainda não está familiarizado com a modalidade?

Esporte nacional na Iacútia, república federativa da Rússia, o Mas-Wrestling tem regras bastante simples: dois atletas sentados de frente um para o outro tentam puxar um bastão de madeira e fazer o oponente passar para o seu lado. Seus pés apoiam-se contra uma placa especial. Se um atleta toca a placa com as mãos, ou joelhos perde a luta.

Quais suas maiores ambições no esporte? Até onde deseja chegar na modalidade?

No início eu não tinha muita ambição, pois já havia sido bem-sucedido em outros esportes de força. Entrei para o esporte mais como curiosidade em aprender a cultura russa. Não fui bem em meu primeiro campeonato na Rússia, e decidi levar o esporte a sério para me redimir. Acabou dando certo e em 1 ano de prática conquistei títulos importantíssimos como o cinturão de campeão absoluto pesado no Arnold Classic em Ohio e a medalha de bronze no mundial da Sibéria em 2018. Pretendo seguir treinando e viajando pelo mundo e no futuro estar presente de alguma forma em alguma Olimpíada, já que esse esporte está para se tornar uma disciplina olímpica em breve.

Na sua opinião, o que precisa ser feito para que a modalidade seja mais popular no Brasil?

Ela não é muito popular no Brasil porque é muito nova, mas grandes eventos já fazem parte do calendário esportivo aqui no Brasil. Não demorará a crescer, pois trata-se de uma disputa saudável, uma luta sem violência muito interessante que pode ser praticada por todas as idades.

Qual é a luta mais marcante da sua carreira? Por quê?

A luta mais marcante eu considero essa última que fiz na final do Arnold Classic South America, onde eu comecei perdendo o primeiro round para um adversário muito forte e consegui com muita calma e técnica ganhar o segundo e o terceiro round revertendo o placar, com muita gente importante assistindo, inclusive o Arnold Schwarzenegger.

Como avalia a sua participação no último mundial?

Esse ano comecei competindo no campeonato mundial absoluto de Mas-Wrestling, na Arábia Saudita. Estava forte e bem preparado, fiz 6 lutas, perdi 2. Tive uma ruptura muscular na quarta luta contra um Ucraniano que foi campeão do evento, fui para a repescagem e mesmo lesionado terminei na sétima colocação entre 41 atletas de 41 países diferentes. Esse ano completo 46 anos de idade, então considero que estou indo muito bem, já que meus adversários geralmente têm entre 25 e 30 anos. Eu demoro um pouco mais para me recuperar, mas ainda estou forte e ágil.

Como encara essa realidade de disputar a maioria das competições longe de país? É frustrante? Considera natural?

É natural que as competições sejam realizadas longe do país, pois trata-se de um esporte russo e já é há mais tempo praticado entre o oriente médio e o extremo oriente. Mas nunca me faltou apoio, principalmente da federação internacional e o governo de países onde o Mas-Wrestling é um esporte importante e eles arcam com as minhas despesas de viagem.

O que me prejudica é o meu tamanho, é muito desconfortável. Chego a ficar 30h em uma única viagem de ida entalado numa poltrona de avião (risos).

Você chegou a ter algum contato com o Arnold Schwarzenegger durante a disputado o Arnold Sports Festival South America? Como foi?

Sim, o Arnold veio ver de perto a minha luta. Me aplaudiu e apertou minha mão no final. Me falou que eu era forte e gostava muito do nosso esporte. Para nós, que somos da área dos esportes de força e musculação, esse tipo de contato com ele é um grande presente.