O norte-americano Lance Armstrong anunciou nesta quarta-feira (17) que deixou o cargo de presidente da sua fundação que luta contra o câncer - Livestrong - para que o grupo possa se concentrar em sua missão, deixando de lado as polêmicas sobre as acusações de doping feitas contra ele.

A ação acontece uma semana depois da Agência Antidoping dos Estados Unidos (USADA, na sigla em inglês) apresentar um relatório em que detalha o suposto esquema de doping utilizado por Armstrong e sua equipe no período em que ele venceu a Volta da França sete vezes consecutivas, entre 1999 e 2005.

A finalidade da apresentação do documento era mostrar por que a USADA o baniu do esporte por toda a vida e ordenou o cancelamento dos resultados obtidos por Armstrong por 14 anos, incluindo os títulos da Volta da França. Ele contém depoimentos de 26 testemunhas, incluindo 11 ex-companheiros de equipe. Armstrong nega ter se dopado, mas decidiu não lutar contra as acusações da agência, dizendo que o processo é injusto.

Armstrong, que não recebe um salário como presidente da Fundação Lance Armstrong, conhecida como Livestrong, permanecerá em seu conselho de 15 membros. Suas funções serão assumidas pelo atual vice-presidente Jeff Garvey, que foi um dos fundadores em 1997.

"Esta organização, sua missão e seus apoiadores são incrivelmente caros ao meu coração", disse Armstrong em um comunicado "Hoje, portanto, para poupar a fundação dos efeitos negativos, resultantes da controvérsia em torno da minha carreira no ciclismo, vou concluir a minha presidência".

A inspiradora história de Armstrong, que conseguiu se recuperar de um câncer testicular, que havia se espalhado para os pulmões e cérebro, para depois ganhar a principal prova do ciclismo mundial, ajudou a sua fundação a crescer, se tornando uma das instituições de caridade mais populares dos Estados Unidos.

Armstrong angariou uma legião de fãs e doações. Em 2004, a fundação introduziu as pulseiras amarelas "Livestrong". Foram vendidas mais de 80 milhões de unidades e ela se tornou um símbolo de conscientização e combate ao câncer.

"Quando meu tratamento de câncer foi chegando ao fim, eu criei uma fundação para atender as pessoas afetadas pelo câncer. Foi um grande privilégio ajudar isso a crescer de um sonho para uma organização que hoje atende 2,5 milhões de pessoas e ajudou a impulsionar uma mudança cultural no modo como o mundo vê os sobreviventes de câncer", disse.

Armstrong disse que vai continuar ligado ao trabalho de combate ao câncer e deve discursar na noite desta sexta-feira na festa do 15º aniversário da Livestrong em Austin.

"Minha família e eu temos dedicado nossas vidas ao trabalho da fundação e isto não será alterado. Pretendemos continuar o nosso trabalho pela fundação e a comunidade do câncer. Vamos permanecer como defensores ativos dos sobreviventes do câncer e engajados defensores da luta contra o câncer", disse.