Trabalhar com futebol neste período de pandemia, assim como em diversas outras áreas, tem sido desafio inédito na vida de todos os profissionais envolvidos. No caso do técnico Wellington Fajardo, que completa 60 anos em junho, a distância da família é uma grande barreira a ser superada no dia a dia.

No comando da URT, time que atualmente ocupa a sexta colocação do Campeonato Mineiro, o treinador traz na bagagem a experiência adquirida no Manaus, time amazonense pelo qual foi campeão estadual em 2019 e vice-campeão brasileiro da Série D, no mesmo ano. Em 2020, ele levantou o caneco do primeiro turno, mas viu a pandemia frear o trabalho e paralisar o futebol de maneira repentina. No Amazonas, já são quase 340 mil casos de pessoas diagnosticadas com o novo coronavírus e mais de 11 mil mortes.

"Foi um ano e meio em Manaus. Vivi toda aquele auge da pandemia por lá. Perdemos muita gente conhecida. Colaboradores, chefe de torcida muito atuante, alguns avós de atletas. Algo muito triste que vivemos lá e que serviu de experiência. Vi o quanto é importante ter os cuidados do dia a dia. São coisas que dão certo. Já fiz uns 15 testes e nunca fui diagnosticado", conta Fajardo ao Hoje em Dia.

"Assim que saí do Manaus, recebi alguns convites de times da Série C. Preferi iniciar o trabalho na URT. Estive aqui em outubro e conheci as instalações do clube e a diretoria. É um clube muito simples, mas que funciona muito bem, dentro de um grande profissionalismo. O nosso objetivo é melhorar a campanha em relação às duas últimas. É um trabalho difícil, porque é uma montagem do zero. No interior, dificilmente fica uma base. O time inteiro foi contratado. Agora começamos a colher os resultados, em sexto lugar, tendo uma evolução muito grande. Acho que podemos sonhar alto", acrescenta, falando sobre o desafio de recolocar o Azulão de Patos de Minas nos trilhos.

fajardo urt

Sobre os protocolos para evitar contaminações e a disseminação do vírus, o técnico garante que vem sendo cumprido à risca no clube. Segundo ele, os resultados são importantes e mostrão o quão seguro é o meio do futebol.

"Temos um protocolo muito rígido. Obrigatoriamente é preciso usar máscara, em todo lugar tem alcóol em gel. Tirar a máscara somente nos treinos. Num grupo de 50 funcionários, apenas um atleta foi diagnosticado. Passamos por um momento difícil na cidade, então é do hotel para o treino e do treino para o hotel. É importante cuidar da saúde mental, principalmente pela distância da família, que mora em Juiz de Fora", destaca.

"Como profissional, temos uma visão de que precisamos trabalhar. A vida não pode parar. Mas como sociedade, às vezes nos sentimentos muito mal, vendo tantas pessoas sofrendo com tudo o que está acontecendo e as quase 300 mil mortes no Brasil. Contrasta um pouco e a gente fica muito dividido e incomodado. Pelo o que eu vejo, dentro do dia a dia, me sinto muito seguro, porque somos testados toda semana. Se acontecer algum problema, saberemos imediatamente. Deixo nas mãos daqueles que comandam a Federação. É difícil até de opinar", pondera Fajardo.

Sobre o presente e futuro dos clubes do interior, principalmente em Minas, Wellington Fajardo acredita que apenas um bom planejamento pode salvá-los. Na opinião do comandante da URT, falta profissionalismo à maioria dos dirigentes dos "pequenos" de Minas Gerais.

"O futebol tem mudado muito e passa por um momento de extrema dificuldade, assim como o país. Falta de receita, más administrações... trabalhei em muitos clubes que tomam decisões pelo lado emocional aflorado, sem uma diretriz. A maioria dos diretores toma decisões apenas pelo resultado. Isso acarreta prejuízo muito grande. O que leva o clube a ficar numa situação são dívidas trabalhalhistas. Um dia chegam e têm que ser pagas. Planejamento é essencial, finaliza.