O empresário Marcos Ramiro, 40 anos, quase perdeu a vida em um acidente. Ainda garoto, ele saiu de casa com a sua irmã Érika, de 13, para estrear o guarda chuva novo que havia recebido de presente no dia das crianças. O que o empresário não esperava é que em sua direção viesse uma Kombi desgovernada. O empresário tirou a sua irmã do caminho e o carro o arrastou pelo canteiro central da avenida Pedro II, em Belo Horizonte.
 
O acidente causou fraturas e ainda deixou sequelas na vida de Ramiro. “Quebrei a perna em onze lugares. Tive dois traumatismos cranianos, quebrei a costela e fiquei com 5% de vida, além de a minha perna esquerda ter ficado cinco centímetros maior que a direita”, conta o empresário, que passou dois anos hospitalizado. Além das cirurgias, ficou engessado da altura do peito até a ponta dos dois pés. “Ainda perdi a face, fiquei parecendo um quibe”, conta, bem humorado.
 
Já em casa, depois de alguns anos do acidente, os médicos cobravam de Marcos para que ele praticasse algum esporte, pois a perna estava atrofiando. Como deve evitar quedas, devido a uma fratura no fêmur, Ramiro começou a jogar tênis de mesa. Mas não era isso que ele queria. Foi quando um amigo o convidou a jogar tênis. “Joguei pela primeira vez nas férias. Foi paixão a primeira vista”, conta.
 
Sem dor
 
Ramiro procurou uma escola para praticar o esporte. “O tênis é maravilhoso. Faz a gente utilizar a cabeça, o corpo e é bom de jogar.” Além disso, a atividade esportiva mudou sua vida. “O esporte me deu uma sensação que não tinha há muito tempo, de não sentir dor”.
 
Marcos queria mais. “Sempre fui competitivo, e no tênis também tinha de ser”, diz. Foi quando ajustou o esporte com as suas limitações físicas e começou a participar de torneios. “Ganhei torneios e troféus”, comemora. Mas a minha maior vitória, além de jogar, é ter feito amigos.”
 
As histórias marcantes fazem parte da trajetória de Marcos no tênis. “Teve um jogo em que meu adversário correu a quadra quatro vezes para aquecer. Mancando, contei a ao adversário sobre meu acidente. Durante o jogo ele pensou que meu ponto fraco seria a bola curta. Mas no final eu venci o jogo e o rival veio me pedir desculpas pela ignorância, pois achou que iria ganhar devido a minha limitação”, conta, orgulhoso.
 
Sem dores no corpo e motivado, Marcos deixa uma lição valiosa. “Tem gente que possui corpo perfeito, mas, por causa da cabeça fraca, não consegue atingir seu máximo no esporte”, observa Ramiro.
 
“O tênis é maravilhoso. Faz a gente utilizar a cabeça, o corpo e é bom de jogar” Marcos Ramiro - Empresário
 
*Colaborou Mateus Marotta