Mesmo com dificuldades financeiras e dívidas com dezenas de fornecedores, os Jogos Olímpicos do Rio-2016 servirão de modelo. Pelo menos para os organizadores da Olimpíada de Tóquio-2020. Pesquisa encomendada pelo governo da capital japonesa apontou que 85% dos moradores esperam cortes de custos e 80% pediram revisão nos projetos nas instalações dos Jogos Olímpicos de 2020. Uma comissão, então, foi montada com o objetivo de reduzir os gastos da competição e o grupo passou a utilizar o Rio como uma das suas referências.

"Os Jogos do Rio foram muito bem sucedidos e nos incentivaram com um monte de ideias, como a reutilização de instalações após a Olimpíada", disse ao jornal O Estado de S.Paulo Shinichi Ueyama, professor de gestão pública da Universidade Keio e líder da força-tarefa responsável por montar o programa de redução de custos dos Jogos de Tóquio.

Se no Rio a Arena do Futuro (palco das partidas de handebol) será transformada em duas escolas, em Tóquio já está certo que o local das competições de ginástica também terá um novo destino depois dos Jogos. "A Arena de Ginástica será convertida em um centro de exposições", contou Ueyama.

O relatório feito pelo grupo também aponta o exemplo do ginásio do Maracanãzinho. Inaugurado em 1954, o local passou por obras de adaptação para receber as partidas de vôlei nos Jogos do Rio. Para 2020, a ideia dos japoneses também é aproveitar instalações já existentes e evitar a construção de arenas que se transformem em "elefantes brancos" depois da competição. "Nós e os contribuintes de Tóquio acreditamos que a redução do custo total dos Jogos, neste momento, é muito importante para a sustentabilidade dos Jogos", disse Ueyama.

A previsão dos organizadores de Tóquio-2020 é que os custos do evento supere a marca de US$ 30 bilhões (R$ 103,3 bilhões), quatro vezes mais do que a previsão feita quando a cidade foi escolhida para sediar os Jogos, em 2013.

No início do mês, Ueyama apresentou aos organizadores uma proposta para reduzir os custos. Uma das recomendações foi mudar o local das provas de remo e canoagem para uma instalação já existente na província de Miyagi, a 400 quilômetros de Tóquio. Só com essa alteração seria possível, de acordo com os auditores, economizar pelo menos US$ 500 milhões (R$ 1,7 bilhão).