Faixa vermelha com ponteira preta no taekwondo – segunda maior graduação da modalidade – e com 17 medalhas conquistadas em nove anos de prática, Sabrina Rodrigues leva uma vida saudável. Mas a trajetória da garota, de 16 anos, nem sempre foi assim. A menina de Santa Luzia, na Grande BH, passou por complicações na infância devido a uma bronquite crônica, e foi orientada pelos médicos a praticar esportes.
 
Filha de seu Adilson e dona Mônica, ela sofria com falta de ar e estava sempre cansada. “A bronquite me deixava exausta e eu tinha que evitar friagem, cheiro forte e mofo”, lembra. O tratamento de Sabrina era caro e ela usava, em média, três bombinhas de ar por mês. “Nem sempre tínhamos dinheiro para comprar os medicamentos. Os antialérgicos e as bombinhas custavam caro, mas eu não podia ficar sem eles”, salienta.
 
Por insistência da pediatra, a estudante do segundo grau do ensino médio começou a praticar taekwondo, aos 7 anos, como saída para o abatimento de que era vítima. 
 
Nove anos depois do primeiro contato com o esporte, na ONG Arel, a jovem se sentiu aliviada. “Além de me ajudar a superar os problemas alérgicos, hoje estou em excelente forma física e com a autoestima elevada”, conta a garota, entusiasmada.
 
 
Vencendo a timidez
 
Os benefícios do esporte na vida de Sabrina não param por aí. Além da questão física, a atividade despertou outras características na jovem. “Na infância, eu era uma pessoa tímida. Através do esporte passei a me comunicar melhor. Hoje tenho muita vontade de vencer, no esporte e na vida pessoal”.
 
Se depender da força de vontade de Sabrina, conquistar seus objetivos vai ser questão de tempo. Além do taekwondo e da escola tradicional, ela cursa inglês e informática. Também sonha em atuar como modelo.
 
 
“Fiz algumas fotos, mas não investi na carreira por falta de condições financeiras. Minha prioridade é o estudo”, afirma. Mesmo diante das dificuldades, ela não desiste. “Ainda pretendo ser modelo e conseguir a faixa preta no taekwondo”, planeja.
 
Competições fora
 
Com determinação e garra, Sabrina também já participou de campeonatos em outros estados e coleciona histórias. Apesar de não ter conseguido medalha em um torneio em São Paulo, a jovem teve a oportunidade de conhecer alguns parentes.
 
“Tinha alguns tios e primas que eu não conhecia e eles foram me ver na competição. Eles me procuraram entre os atletas e por coincidência uma prima chegou para mim e perguntou se eu conhecia a Sabrina Chaves”, diverte-se. 
 
Os parentes conheceram Sabrina, que encontrou no esporte uma vida “saudável” e “o respeito”, como ela mesma diz. A atleta faz questão de incentivar outras pessoas que deixam de lado seus sonhos por causa das dificuldades. “Vá em frente, seja perseverante e leve a sério o que está fazendo que o esporte ajudará a resolver os seus problemas”, encoraja.
 
“Na infância, eu era uma pessoa tímida. Através do esporte passei a me comunicar melhor. Hoje tenho muita vontade de vencer, no esporte e na vida pessoal”.
 
*Mateus Marotta