Antes de assumir o cargo de gestor da Raposa, em outubro, o então presidente do Conselho Deliberativo do clube, Zezé Perrella – que também tem sua parcela de culpa no descenso –, esbravejou contra a diretoria. “O Cruzeiro está caminhando a passos largos para virar, com todo respeito, um Vasco da Gama, uma Portuguesa e por aí vai. Porque está faltando responsabilidade”. O cartola se referia aos problemas financeiros e administrativos dessas agremiações, que acabaram rebaixadas e continuaram a passar por dificuldades – a Lusa, por sinal, caiu no ostracismo.

Mas será que esse temor tem fundamento? O Cruzeiro realmente pode virar um “Vasco” (como diz Perrella), que passou três vezes pela Série B em menos de dez anos? Ou a situação chega a ser tão periclitante que existe o risco de repetir a trágica saga do Fluminense, rebaixado para a Série C em 1998? Seria exagero pensar assim ou os azuis conseguirão se organizar a fim de voltar à elite do futebol nacional mais forte do que antes?

Vasco?

Uma série de fatores influenciou para os três rebaixamentos (2008, 2013 e 2015) do Gigante da Colina no Brasileiro. O endividamento levou à falta de credibilidade no mercado, tanto na Era Eurico Miranda quanto na Era Roberto Dinamite. Só para se ter uma ideia da catástrofe: em 2008, ano da primeira queda do clube, a dívida atingiu R$ 345 milhões, 190% maior que a de 2007.

Daí para frente, a instabilidade continuou. Apesar de esboçar uma melhora – conquistou a Copa do Brasil de 2011 –, os erros do passado se repetiram de forma mais intensa. O time caiu em 2013, voltou em 2014 e desceu novamente em 2015 para a Série B. Talvez o medo de Perrella se baseie nisso, de acreditar que os bastidores do Vasco se assemelham aos do Cruzeiro.

Fluminense?

A crise que assolou o Flu e provocou o rebaixamento do Tricolor para a Série B em 1997 e, depois, para a C, em 1998, segue um roteiro parecido. E vem do início da década de 90. Em 1992, o clube vivia um período financeiro complicado, que incluía várias dívidas, dentre elas, um problema com o INSS, segundo matéria do “JB” à época. Edinho, ex-jogador do Fluminense, culpava os dirigentes: “querem apenas trocar e vender jogadores”. Também era apontado um culpado: o vice-presidente de futebol, Valquir Pimentel.

As dívidas continuaram, e, no fim de 1995, o Fluminense perdeu seu patrocinador da época. Em 1996, foi rebaixado, juntamente com o Bragantino, mas acabou sendo salvo por uma “virada de mesa”, em decorrência de um escândalo de arbitragem, conhecido como Caso Ivens Mendes. Só que nem isso evitou o pior: em 1997 caiu para a B, e no ano seguinte, para a C.

Outros gigantes

Por outro lado, o Cruzeiro tenta repetir o que fizeram Atlético e Corinthians, que retornaram no ano seguinte, nunca mais caíram, alçaram voos altos e conquistaram grandes títulos nos anos seguintes. Para isso, muito trabalho terá de ser feito fora de campo.