Foi por um minuto que a classificação do Cruzeiro não aconteceu no tempo normal. O jogo estava 2 a 1 para a Raposa, que já havia virado o placar no segundo tempo, depois de sair perdendo. Mas com uma bicicleta cinematográfica na última volta do relógio, o garoto João Pedro deixou tudo igual (2 a 2) e a decisão foi para os pênaltis.

O Cruzeiro venceu nos penais por 3 a 1, mas até nessa hora a vitória veio com emoção. Lucas Silva abriu os tiros livres e chutou para fora; Paulo Henrique Ganso acertou o travessão, a mesma coisa que fez Lucas Romero. Coube a Caio Henrique fazer o primeiro gol a favor do Flu. Pedro Rocha fez para o Cruzeiro.João Pedro, o autor do golaço no finzinho do tempo normal, perdeu. O garoto parou nas mãos do goleiro Fábio; Sassá, que no tempo normal havia desperdiçado a cobrança, marcou o gol. Gilberto acertou a trave. E coube ao Thiago Neves, sempre ele, decisivo e implacável, definir a partida com o gol que sacramentou a classificação estrelada às quartas de final. 

O Jogo

O Cruzeiro no primeiro tempo parecia o trânsito em Belo Horizonte: completamente parado. O time de Mano Menezes dava campo para o Fluminense e deixava a equipe de Fernando Diniz criar as jogadas.

Tanto deixou os cariocas gostarem do jogo que aos nove minutos o zagueiro Dedé, estabanado, cometeu pênalti em Brenner. O lance precisou de consulta do Árbitro de Vídeo (VAR), já que o árbitro Rafael Traci no ‘lance original’ não enxergou a infração.

Na primeira cobrança o instinto de “pegador de pênaltis” do goleiro Fábio fez a diferença, tanto que o camisa 1 da Raposa defendeu a cobrança de Paulo Henrique Ganso. No rebote o atacante Luciano fez o gol.

Novamente o VAR entrou em ação, desta vez para analisar invasão na grande área. Como tanto os cruzeirenses quanto os tricolores pisaram na área antes da batida de Ganso na bola, Rafael Traci mandou voltar a cobrança.

Aos 14 minutos, Paulo Henrique Ganso, enfim, marcou: 1 a 0.

Depois do gol, o Cruzeiro, que pouco conseguia criar, adiantou a posição dos jogadores em campo para tentar tirar campo do Fluminense. Isso até surtiu efeito, mas quando a equipe de Fernando Diniz roubava a bola, os contra-ataques eram rápidos e assustavam a Raposa.

Apesar de pressionar o adversário, o Cruzeiro passou mais apertado na etapa inicial. O Fluminense teve as melhores chances, e se garantiu de não levar mais gols pelo goleiro Fábio, que fez boa defesa aos 19 minutos em chute de Luciano. E aos 30 minutos, quando Brenner, livre, chutou forte de fora da área, mas a bola passou por cima do gol cruzeirense.

No segundo tempo o Cruzeiro, que não tinha tempo a perder, partiu logo para cima do Flu. Logo aos seis minutos uma grande chance aconteceu pelos pés de Thiago Neves.

Sassá deu belo passe para o camisa 10, que invadiu a área e bateu cruzado. A bola passou muito perto do gol de Agenor.

E esse lance animou os cruzeirenses que se mantiveram no ataque. E o ditado já diz: “água mole, pedra dura, tanto bate até que fura”. Aos 13 minutos Dodô cobrou escanteio, Dedé cabeceou no alto, a bola sobrou para Cabral, que jogou para o meio da área onde estava bem posicionado o camisa 10, que balançou a rede e deixou tudo igual: 1 a 1.

A pressão celeste era tanta que aos 18 minutos o time conseguiu uma penalidade. Thiago Neves iniciou a jogada de ataque com uma linda “caneta” (quando o jogador passa a bola debaixo da perna do adversário) em Paulo Henrique Ganso, e lançou Pedro Rocha. Dentro da área o atacante “sambou” para cima da marcação e foi derrubado. Pedro Traci marcou pênalti.

Era a chance de o Cruzeiro virar o placar, mas Sassá desperdiçou a cobrança. O placar se mantinha no 1 a 1.

Mesmo tendo perdido o penal a Raposa seguia em cima, pressionando. Aos 31 o atacante Pedro Rocha teve uma chance. Lucas Romero partiu pela direita, encontrou Pedro Rocha, que chutou em cima do goleiro Agenor.

Um minuto depois, mais uma vez o VAR entrou em ação. Caio Henrique derrubou Lucas Romero dentro da área. No lance “original” o árbitro Rafael Traci nada marcou, mas foi alertado pelo árbitro que coordenava o vídeo na salinha do Mineirão. Pênalti!

Se na primeira oportunidade o meia Thiago Neves deixou a cobrança para o atacante Sassá, na segunda chance foi o camisa 10 que pegou a bola e desempatou o jogo: 2 a 1, para o delírio da torcida cruzeirense. O nome do meia foi muito exaltado no estádio.

O desespero de Fernando Diniz era tanto, que o treinador do Fluminense tirou os dois zagueiros na substituição e colocou todo o seu time no ataque. E a mexida gerou uma enorme pressão dos cariocas, que martelaram, martelaram, empataram com um golaço do menino João Pedro, uma bicicleta cinematográfica. Era o dois a dois que levou o jogo para os pênaltis.

CRUZEIRO 2 (3) X 2 (1) FLUMINENSE

Motivo: jogo de volta das oitavas de final da Copa do Brasil
Local: Estádio Mineirão (BH)
Árbitro: Rafael Traci (SC)
Auxiliares: Fabrício Vilarinho da Silva e (GO) e Carlos Berkenbrock (SC)
Gol: Ganso, aos 15 minutos do primeiro tempo; Thiago Neves, aos 13 e 35 minutos do segundo tempo; João Pedro, aos 51 minutos do segundo tempo.
Cartão amarelo: Luciano, Daniel (FLU); Henrique, Sassá, Robinho (CRU)
Cartão vermelho: Não Houve
Público: 40.056 (pagante) / Público presente: 47.460
Renda: R$ 546.960,50

CRUZEIRO - Fábio; Lucas Romero, Dedé, Léo e Dodô; Henrique e Ariel Cabral (Lucas Silva); Thiago Neves, Robinho e Marquinhos Gabriel (Pedro Rocha); Fred (Sassá). Técnico: Mano Menezes.

FLUMINENSE – Agenor; Gilberto, Nino (Miguel), Frazan (Mascarenhas) e Caio Henrique; Allan, Daniel e Ganso; Luciano, Brenner (Ewandro) e João Pedro. Técnico: Fernando Diniz.