As maiores torcidas organizadas de Corinthians e Palmeiras estão temerosas com a decisão da Federação Paulista de Futebol (FPF) de marcar para o mesmo dia, em horários e locais próximos, os jogos dos dois times. Por questão de segurança, isso era sempre evitado. "A polícia também foi contra a realização dos dois jogos no mesmo dia. Mas, infelizmente, parece que a federação quer ver morte. A justificativa é de que a tabela não pode ser mudada, que não há tempo hábil para isso", disse um porta-voz da Gaviões da Fiel.

O Corinthians enfrenta o Audax, no estádio José Liberatti, em Osasco (SP), às 19h30. Um pouco mais tarde, às 21 horas, o Palmeiras recebe o São Bento, no estádio do Pacaembu, na capital. O problema é que existe um fluxo muito grande de torcedores, principalmente nas estações de trem e metrô e em diversas regiões da Grande São Paulo, e confrontos podem ocorrer.

Temendo o pior, a palmeirense Mancha Verde divulgou uma nota de repúdio. "É inadmissível colocar jogos no mesmo dia, que envolvem Palmeiras e Corinthians, a maior rivalidade do Brasil e uma das maiores do mundo. São dois jogos na Grande São Paulo, com 1h30min de diferença entre as partidas, com as duas maiores torcidas de São Paulo usando os mesmos transportes públicos, avenidas e rodovias de acesso", disse o comunicado, divulgado na página oficial do Facebook da torcida.

A Gaviões concorda com a Mancha e diz que o risco de confrontos é grande. "Nós também temos essa preocupação. Soltamos uma nota contra a Federação Paulista no dia 29 de janeiro (sobre a punição por uso de sinalizadores na final da Copa São Paulo) e eles devem estar querendo fazer alguma represália. As reuniões do Batalhão de Choque são feitas com todas as torcidas e as autoridades foram alertadas sobre este risco. O problema é que a Federação simplesmente ignorou o pedido das torcidas para uma troca de datas", reclamou a torcida.

Nesta quarta-feira à noite, a Gaviões da Fiel protestou mais uma vez na frente da sede da Federação Paulista de Futebol, por causa da suspensão de 60 dias dos estádios por uso de sinalizadores na final da Copa São Paulo de Futebol Júnior e também com críticas ao deputado Fernando Capez, acusado de desviar recursos das merendas das escolas públicas. A uniformizada também reclama dos preços abusivos dos ingressos nos estádios.