Ganhar uma medalha olímpica certamente é o ponto alto na carreira de um atleta de alto rendimento. Conseguir o feito após um ciclo marcado por inseguranças, dificuldades e limitações dá um sabor ainda mais doce à conquista. Caso do nadador Fernando Scheffer, medalhista de bronze nos 200m livres nos Jogos de Tóquio, nessa terça-feira (27) - segunda-feira (26) no Brasil.

Atleta do Minas Tênis Clube, o gaúcho de 23 anos teve que superar inúmeros obstáculos impostos pela pandemia da Covid e se reinventar para manter vivo o sonho de brilhar no Japão.

Sem poder acessar o clube da rua da Bahia, em razão das medidas sanitárias impostas pela Prefeitura de Belo Horizonte, Scheffer buscou alternativas para atenuar os efeitos da quebra da rotina.

“Logo que começou a pandemia, ano passado, ficamos dois meses sem cair na água. Depois, conseguimos uma piscina de condomínio, fomos adaptando. Era piscina de 15 metros, não eram as condições ideais. Tem um colega de equipe nosso que tem um sítio, um açude de 60 metros. Aí, improvisamos, juntamos uns cinco amigos, fomos para o sítio e ficamos uns dias lá treinando no açude mesmo. Trabalhamos do jeito que dava”, disse o nadador, em entrevista coletiva após a prova.

O açude em que Fernando treinou fica na cidade Coronel Xavier Chaves, na Região Central de Minas Gerais, e pertence à família de Vinícius Lanza, outro nadador do Minas classificado para o principal evento esportivo do planeta. 

E o nadador revelou outra adaptação inusitada que teve de fazer durante a preparação. “Eu aluguei uns pesos de academia com uma amiga e montei uma academia improvisada na garagem de casa. Malhava em casa, aluguei uma bike de spinning, pedalava dentro de casa. A gente se virou do jeito que dava.

Gratidão e euforia

Após fazer história, subindo ao pódio em uma modalidade em que o Brasil não medalhava desde os Jogos de Atlanta 96 (a prata de Gustavo Borges), o nadador gaúcho agradeceu aos envolvidos no feito.

“É até difícil falar. O sentimento que me preenche agora é o de gratidão. Teve muita gente que teve comigo durante todo esse tempo, todos os treinadores, preparadores, fisioterapeutas, médicos, colegas de treino, adversários, família e amigos. Todo mundo que torceu, jogou boas energias. Galera ficou acordada até tarde para torcer. Hoje, todo mundo nadou comigo, não foi só eu. Essa medalha é de todo mundo”.

Por falar em companheiros de treino, um vídeo publicado nas redes sociais do próprio Minas Tênis Clube mostra nadadores das categorias Juvenil e Júnior do clube, que estão Recife para a disputa do Campeonato Brasileiro, indo à loucura com o resultado de Scheffer. (Confira o registro abaixo)

Natural de Canoas, no Rio Grande do Sul, o atleta está na equipe minastenista desde 2018. Além do feito em Tóquio, também carrega no currículo o ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima 2019 nos 200m livre e no revezamento 4 x 200m livre. No Peru, também faturou a prata nos 400m livre.  

De olho em novo pódio

Com o bronze no peito, Fernando Scheffer cai na água na madrugada de terça para quarta-feira em busca de outra medalha.

Ao lado de Luiz Altamir, Murilo Sartori e Breno Correia, o gaúcho terminou as eliminatórias do revezamento 4 x 200m livre na oitava posição e vai brigar pela segunda medalha nos Jogos. Scheffer foi o segundo a entrar na água e marcou um tempo de 1min46s09. A prova está prevista para ser realizada por volta de 0h25, da madrugada desta quarta.

Em grande forma, o nadador usou as redes sociais para convocar o público a ficar mais uma noite coladinho em frente à televisão.

“Queria agradecer todo mundo pelo carinho, pelas energias. Amanhã (terça) a gente nada a final do revezamento 4x200 m. Então, conto com a torcida de todos de novo. Mais uma vez, obrigado".

Nadador Fernando Scheffer em ação pelo Minas Tênis ClubeScheffer em ação pelo Minas Tênis Clube, instituição que defende desde o ano de 2018