Mineirão

Depois de a Justiça determinar que o dinheiro depositado pelo Cruzeiro em juízo para pagamento de dívida com o Mineirão fosse realocado para quitação de tributos federais, o presidente do celeste comentou o caso de mais essa dívida do clube com a União.

Em transmissão ao vivo no canal oficial da Raposa no Youtube, Sérgio Santos Rodrigues, na última quinta-feira, garantiu que os advogados que trabalham para o Cruzeiro vão recorrer da decisão da juíza Patrícia Santos Firmo, da 32ª Vara Cível de Belo Horizonte.

"Realmente, tínhamos feito um acordo que dependia do levantamento desse dinheiro, e aí o acordo acabou não sendo homologado. Claro que cabe o recurso, e esse recurso será feito, nosso jurídico conduzindo essa causa, especificamente, pelo querido Felipe Cândido e o Raimundinho (Raimundo Cândido), seu pai, o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil de Minas Gerais)", disse Sérgio Rodrigues em resposta a um torcedor.

Há aproximadamente R$ 9,8 milhões em depósitos judiciais do Cruzeiro, valor referente a repasses de 25% da renda de jogos do clube no Mineirão nos últimos anos. Portanto, valor insuficiente para quitar as dívidas cobradas pelo Fisco Federal, apuradas em R$ 6.186.618,15 e  R$ 7.488.347,65, de acordo com a cobrança da União. 

Interessado em receber os valores devidos pelo Cruzeiro e que estavam depositados judicialmente, o Mineirão trabalha em conjunto com os advogados do clube celeste. Isso, de acordo com o próprio presidente Sérgio Santos Rodrigues. 

"(os advogados do Cruzeiro) Estão conduzindo essa causa junto com o jurídico do Mineirão. A gente quer mostrar que essa acordo existe, nossa conversa com o Mineirão é ótima, o Mineirão é nossa casa e vai nos trazer muitas coisas boas ainda. Vamos brigar até o fim para resolver isso logo", garantiu. 

União

A União entrou "no meio" dessa discussão entre Cruzeiro e Mineirão tendo em vista que a Raposa tem dívidas fiscais com a Fazenda Nacional na casa dos R$ 330 milhões. Como saiu do Profut por falta de pagamento das parcelas indispensáveis à manutenção do clube no programa federal, por isso o arresto de bens movimentado na 23ª Vara Federal de Execução Fiscal da Seção Judiciária de Minas Gerais.  

Quando da alteração no processo, o juiz Luís Cláudio de Souza Fontes havia solicitado à 32ª Vara Cívil de Belo Horizonte (onde está o processo envolvendo Cruzeiro e Mineirão) o bloqueio dos R$ 9,8 milhões. 

Na hierarquia dos credores a União tem preferências para receber valores de dívidas em detrimento de outros entes privados. 
Cruzeiro x Minas Arena

A discussão envolvendo o Cruzeiro e a administradora do Mineirão começou em 2013, após o presidente celeste à época, Gilvan de Pinho Tavares, interromper pagamentos à Minas Arena por entender que a empresa desrespeitara acordo contratual com a Raposa.

É que naquele ano o Atlético não pagou despesas operacionais do estádio para jogar no Gigante da Pampulha a partida final contra o Olimpia, pela Copa Libertadores. Jogo que, inclusive, culminou com o título alvinegro na competição sul-americana. 

Em 2016, então, a Minas Arena resolveu acionar à Justiça e cobrar R$ 8.952.796,62 do Cruzeiro, que passou a depositar judicialmente, a partir de junho daquele ano, 25% da renda líquida de suas partidas como mandante. 

Agora a relação entre clube e Mineirão, com a eleição de Sérgio Santos Rodrigues à presidente, mostra sinais de grande melhora. Desde Gilvan e passando por Wagner Pires de Sá, que renunciou em 2019, houve discussões entre as partes.

Inclusive, o Cruzeiro perdeu o seu contrato com o estádio, acordo assinado em 2013, e tido como "vantajoso" pelo presidente da época, Gilvan de Pinho Tavares. Agora o clube negocia partida por partida para atuar no Gigante da Pampulha.