GOVERNADOR VALADARES – Os urubus atuam como guias para os praticantes de voo livre. Para realizarem um voo mais alto e prolongado, esses pássaros procuram as térmicas – correntes de ar quente –, que começam no solo e sobem girando até se dissiparem na atmosfera. Dessa forma, não precisam bater as asas para chegar ao destino.

Esse comportamento, que pode ser interpretado como preguiça, também é visto como experiência, um atributo em destaque na 1ª etapa do Campeonato Brasileiro de Parapente, que será encerrado hoje, em Governador Valadares, no Leste mineiro.

“Costumamos dizer que o piloto com muitas horas de voo se assemelha ao urubu. Com o tempo começa a criar penas ao invés de pelos”, brinca o diretor de provas e operador de resgate do campeonato, Dioclécio Rosendo. O evento reúne 123 pilotos nas provas oficiais e dezenas de outros fora delas. Todos decolam, em horários diferenciados, do Pico da Ibituruna, a 1.123 metros de altitude.

Pronto para ajudar

A idade média dos competidores é 45 anos, mas há entre os pilotos veteranos com mais de 70 anos. Entre eles está o norueguês Per Weme, 73 anos de idade e 26 de voo, que caminha sem pressa entre os colegas. O passo só é apertado quando um piloto precisa de ajuda para armar o paraglider ou de uma instrução. “Me dedico aos voos livres, sem competição, só para relaxar. Também gosto de ajudar quem precisa”, diz, revelando que outro prazer é reencontrar os amigos – 22 noruegueses estão em Valadares.

Para o experiente piloto Luciano Tcacenco, o Bafinho, 38 anos de idade, 25 de voo e passagens por oito mundiais de parapente, ter muito tempo nos ares não significa mais experiência. “Não adianta ter 15 anos de voo e voar uma vez a cada seis meses. E bom intercalar tempo de voo e a frequência. Uns dez anos de voos frequentes é uma boa experiência”, opina.