A selvageria ocorrida no Mineirão, após o empate sem gols entre Cruzeiro e Atlético, no último domingo, além dos vários feridos e detidos pela polícia, resultou numa decisão drástica, realizada em conjunto pelas diretorias de Raposa e Galo. A partir do próximo clássico, que acontecerá apenas no ano que vem, não haverá mais torcida visitante nos estádios.

Em conversa ao telefone, realizada na manhã de ontem, Sérgio Sette Câmara, presidente do alvinegro, e Zezé Perrella, gestor do futebol da Raposa, entraram em consenso e viram nesta opção a chance de diminuir os embates entre as torcidas, dentro e fora das arenas.

“Infelizmente, diante das cenas de barbárie e de toda violência no clássico de domingo, chegamos ao consenso de que, pelo menos nos próximos clássicos sejam assim. Para os dois clubes, isso minimiza a possibilidade de cenas lamentáveis como aquelas”, se posicionou o Atlético ao Hoje em Dia, por meio de sua assessoria.

Violência

“Aconteceram ocasiões dolorosas para todos que acompanham e torcem para o bem do futebol. Acho que o futebol nada mais é do que a gente lá dentro trabalhando e uma festa para o torcedor. É o maior clássico daqui, e confesso que fiquei bastante chateado por ver um clássico terminando daquele jeito, com injúrias raciais também”, comentou Fabrício Bruno, zagueiro do Cruzeiro.

Posicionamento da PM

Apesar de garantir ter competência e efetivo suficientes para fazer a segurança nos clássicos entre Atlético e Cruzeiro, em todas as configurações (torcida única, dividia ou 90%/10%), a Polícia Militar diz que não é quem decreta esse tipo de decisão.

“Ela tem que ser tomada em conjunto com a Federação Mineira de Futebol, Ministério Público, Polícia e demais órgãos do Estado. Essas pessoas estão atrapalhando o espetáculo, estão atrapalhando a família de entrar no estádio, atrapalhando de levar uma criança para ver uma coisa sadia”, comentou o Tenente-Coronel Juliano Trant em entrevista à Band.

Injúria racial

Na tarde dessa terça-feira, os irmãos suspeitos de terem cometido injúria racial contra um segurança particular, durante confusão nas cadeiras do Mineirão, se apresentaram à Polícia Civil e prestaram depoimento.

Por meio de uma nota, repassada à imprensa pela advogada Aline Lopes Martins, a dupla pediu desculpas à vítima e a todos os ofendidos e rechaçou ser racista.

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