Na noite desta quarta-feira (28), o vice-presidente do Atlético Lásaro Cândido usou as redes sociais para comentar sobre o vazamento de parte do relátorio da Kroll, empresa contratada pela atual gestão, da qual ele faz parte, para encontrar possíveis irregularidades ocorridas nos últimos anos.

Num dos trechos, Lásaro é citado por ter recebido remuneração do Atlético em outrora. Além de ter explicado tal situação, verídica, o também diretor jurídico do alvinegro se mostrou revoltado com a empresa, pelo fato de, segundo ele, ter sido investigado até em e-mails particulares.

"Venho dar uma satisfação à Massa atleticana. Tive notícia há pouco que parte de um relatório atribuido à Kroll, que insinua que recebi remuneração do Atlético, eventualmente sem contrato. Isso é tudo falso. Não sei se esse trecho é verdadeiro, porque não tive acesso, apenas a presidência. Essa parte que é atribuída a mim é lamentável. Eu já publicizei várias vezes que, em 12 anos de clube, fui remunerado em 1 ano e 7 meses, com tudo registrado. Os outros 10 anos, foi sem remuneração. Qual o problema que tem nisso?", destacou Lásaro.

"Só quero esclarecer que peguei os contratos no Atlético. Agora, outras questões envolvidas no relatório, se tiverem irregularidades, que se tomem medidas. Eu só acho que é quase uma sacanagem fazer isso. Divulgar e-mails, inclusives particulares. Vou interpelar a Kroll para saber como ela teve acesso aos meus e-mails pessoais, apesar de lá não ter nada de errado, mas é minha vida. Estou encerrando meu período de gestão em 2020, mas é revoltante isso", acrescentou.

Em contato com o Hoje em Dia, Lásaro revela que, nesta quinta-feira (29), notificou a Kroll - a empresa tem sede em São Paulo - para obter respostas. A primeira delas, se o trecho vazado é mesmo fruto da investigação da contratada; a segunda, o motivo para ter e-mails particulares, ilegalmente vasculhados.

"Quanto ao vazamento dos e-mails, há um pessoal do "Terra" (site), que consta de um relatório que é atribuído à Kroll. Por isso foi notificada a empresa. Se for, ela invadiu meu e-mail pessoal, com informações sobre sócios, etc. Ela investigou minha vida pessoal, sem autorização legal. Além de ter produzido prova falsa, dizendo que não havia contrato por  um período de pagamento", diz Lásaro.

Cândido ainda disponibilzou todos os contratos assinados com o Atlético na época, validando os pagamentos noticiados e o vínculo remunerado no período - de 12 anos no clube - remunerado por um ano e sete meses (ver no álbum), com o intuito de desmentir informações veiculadas e atribuídas à Kroll.

Resposta da Kroll

A reportagem procurou a Kroll para saber o posicionamento da empresa, responsável pela auditoria no alvinegro. Confira a resposta:

"A Kroll afirma que a investigação financeira realizada no Clube Atlético Mineiro teve como objetivo apontar irregularidades e vulnerabilidades, com base em documentos corporativos disponíveis na instituição.

Nossas conclusões, enviadas confidencial e exclusivamente para uso interno, são subsídios para que o cliente busque sanar as vulnerabilidades identificadas, incluindo a falta de documentação para algumas transações.

A Kroll é referência em investigação no segmento esportivo e lamenta a divulgação de informações sigilosas, fora do contexto do trabalho realizado. A empresa afirma que não há e-mails pessoais nos materiais analisados e informa não ter recebido nenhuma notificação em relação ao trabalho"